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Secretário de Meio Ambiente de Altamira é morto ao chegar em casa

Luís Alberto Araújo, de 54 anos, estava acompanhado da mulher e de dois enteados no momento do crime

André Borges e Rafael Pezzo, O Estado de S.Paulo

14 Outubro 2016 | 08h54
Atualizado 14 Outubro 2016 | 13h35

BRASÍLIA E SÃO PAULO - O secretário de Meio Ambiente e Turismo da cidade de Altamira, no Pará, Luiz Alberto Araújo, de 54 anos, foi morto a tiros no início da noite desta quinta-feira, 13. Segundo a Polícia Civil, o crime aconteceu na chegada ao condomínio onde morava, no bairro de Buriti, na periferia do município. Junto com ele no carro estavam a mulher e dois enteados. 

Ainda segundo a polícia, dois homens chegaram de moto perto do carro e começaram os disparar contra o secretário. Luiz Alberto caiu em cima da mulher, no banco do passageiro, e morreu no local, com nove disparos. 

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Pará, não há ainda uma linha de investigação para o caso, que é presidido pelo delegado Vinicius Sousa, superintendente da Polícia Civil da região do Xingu. A polícia já está analisando as imagens de câmeras de segurança e ouvindo os testemunhos da mulher e de colegas de trabalho de Luiz Alberto. 

"Vamos fazer o 'filtro' necessário e seguir a linha de investigação adequada. Por enquanto não descartamos nenhuma possibilidade", disse Sousa. 

Belo Monte. Em fevereiro deste ano, Luiz Alberto Araújo concedeu entrevista ao Estado, para falar sobre irregularidades cometidas no processo de coleta de milhares de toneladas de peixes mortos em decorrência do fechamento da barragem de Belo Monte, hidrelétrica que está em construção no Rio Xingu e que forma uma represa bem de frente à orla de Altamira.

Na entrevista, Araújo denunciou que sua equipe havia encontrado covas lotadas de peixes nas proximidades de um dos barramentos da usina. A busca foi feita após uma denúncia dos pescadores. À época, a secretaria levou a denúncia ao Ministério Público Federal (MPF). Os serviços relacionados ao resgate dos peixes foram realizados pela empresa Biota Projetos e Consultoria Ambiental.

A Norte Energia, dona da usina, foi multada pelo Ibama em um total de R$ 35,3 milhões, por causa da morte de 16,2 toneladas de peixes durante o processo de enchimento de seu reservatório. Além de ser responsável pelo crime ambiental, a empresa também foi punida por apresentar "informações parcialmente falsas" sobre a contratação de trabalhadores para resgate dos peixes.

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