Keiny Andrade/AE
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São Paulo tem 100 mil novas ligações de água por ano

Capital paulista precisa importar 48% da água que os cerca de 20 milhões de habitantes consomem

Karina Ninni, especial para O Estado,

22 Março 2010 | 12h35

A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) é abastecida por oito sistemas que captam água de diferentes mananciais. Dos 39 municípios que a compõem, 31 deles são cobertos pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que produz cerca de 105 mil litros de água por segundo.

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A empresa trabalha com uma média per capita de consumo diário de 200 a 300 litros. Mas a metrópole tem baixa disponibilidade hídrica. "Para abastecer os quase 20 milhões de habitantes, São Paulo importa 48% da água que consome", explica Paulo Massato, diretor da Sabesp, salientando que o consumo por residência na grande São Paulo diminuiu, principalmente por causa da redução do tamanho das famílias e das campanhas de conscientização. "Há 12 anos, eram 19 mil litros por mês por residência. Hoje são 12.800 litros".

 

Mas, em compensação, cem mil novas ligações de água são feitas a cada ano na Região Metropolitana, que hoje tem 3,8 milhões de ligações de água ativa. Segundo o Agência Nacional de Água (ANA), São Paulo precisaria investir R$ 3,5 bilhões até 2015 para garantir o abastecimento até 2025.

 

"Já estamos ampliando a estação de Taiaçupeba, no complexo do Alto Tietê, para aproveitar as últimas possibilidades hídricas das barragens de Paraitinga e Biritiba Mirim. Isso aumenta a produção do sistema de 10 mil litros por segundo para 15 mil e deve garantir a demanda para a região metropolitana até 2017", garante Massato.

 

Esgoto e poluição

 

Como em todo o País, o abastecimento de água em São Paulo também está ameaçado pelo lançamento de esgoto doméstico nos rios. Segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), somente 45% do esgoto do Estado é tratado. Por isso, nos mananciais mais pressionados, custa mais caro manter a qualidade necessária para distribuição. "No sistema Cantareira, onde há matas ciliares e o uso do solo não compromete a captação, cada mil litros custam R$ 0,19 só em produtos químicos. Já no sistema Guarapiranga, esse custo sobe para R$ 0,37", confirma Massato.

 

O controle da qualidade da água dos rios em São Paulo cabe à Cetesb. De acordo com Nelson Menegon Jr., gerente da Divisão de Águas e Solos da Companhia, a rede de monitoramento é composta de 333 pontos. "São feitas seis medições por ano para cada um dos pontos, sendo três medidas em época de chuvas e três na estiagem", explica.

 

Restrições 

 

Segundo um decreto estadual de 1977, os rios do Estado são divididos em quatro classes. Os da classe 1 são os de uso mais nobre: para preservação da vida aquática e o consumo humano. "O Tietê, dentro de São Paulo, é um classe 4. Para esses rios, não há restrição de lançamento de metais pesados, por exemplo", explica Menegon. Ele acrescenta que não há mais vida aquática nos rios Tietê (dentro de São Paulo), Tamanduateí e Pinheiros.

 

"O problema, hoje, é que boa parte dos rios está enquadrada em uma classe, mas na realidade já não pertence mais a ela, pelo nível de poluentes que estão nas águas", admite.

 

A crescente degradação das águas superficiais do Estado pressiona os reservatórios de águas subterrâneas. Segundo a Cetesb, atualmente, aproximadamente 80% dos municípios são total ou parcialmente abastecidos por águas subterrâneas,atendendo uma população de mais de 5,5 milhões habitantes.

 

"Estimamos em 12 mil o número de poços existentes na Região Metropolitana, mas só 30% deles são legais. Na Grande São Paulo, boa parte da água subterrânea já está contaminada", afirma Ricardo Hirata, professor do Instituto de Geociências da USP.

 

Postos de gasolina, lixões, aterros mal operados, acidentes com substâncias tóxicas, armazenamento, manuseio e descarte inadequado de matérias primas utilizadas na indústria, mineração, vazamento das redes coletoras de esgoto e uso incorreto de agrotóxicos e fertilizantes são principais fontes de contaminação. "As águas subterrâneas são a caixa d'água do planeta. É preciso cuidar", alerta Hirata.

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