Rio de esgoto deságua em área protegida

Além do esgoto doméstico, a baía também recebe muito chorume de lixões.

Felipe Werneck,

22 Março 2012 | 18h31

 O banheiro químico boiando na Baía de Guanabara, dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guapimirim, é revelador. Ali desemboca o Rio Guaxindiba, que nasce no município de São Gonçalo. Trata-se de um rio de esgoto, com água escura e viscosa. O cheio é insuportável. “O pessoal de Magé vinha pescar aqui porque esse rio era rico demais. Fica dentro da área de proteção ambiental, mas hoje é só esgoto e chorume, tá acabando com o pulmão da baía”, diz o pescador Gilson Alves Milagre, de 42 anos, filho e neto de pescadores.

Presidente da Associação Homens do Mar da Baía de Guanabara (AHOMAR), Alexandre Anderson cita levantamento feito em conjunto com geógrafos em 28 colônias de pescadores que aponta redução de 80% do volume de pescado desde a década de 1990. “Pelo menos 34 espécies de peixes e crustáceos desapareceram, não entram mais na baía. Daqui a pouco não vamos ter mais nada, acho que é só uma questão de tempo”, lamenta.

Segundo ele, havia 23 mil pescadores cadastrados em toda a baía até o fim da década de 1990, e hoje são menos de 9 mil. Até 78% da área da baía era usada para pesca artesanal, diz Anderson, mas hoje só é possível aproveitar um trecho seis vezes menor, por causa do assoreamento, da instalação de plantas industriais e de outros problemas. “Está difícil, o quadro é crítico. Não acreditamos que será possível reverter a situação.” Além do esgoto doméstico, a baía também recebe muito chorume de lixões. “Se tornou um grande penico, uma área de descarte de toda a região metropolitana.”

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