Reunião da ONU sobre segurança nuclear termina com metas ambiciosas e sem mudanças práticas

VIENA - O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) declarou nesta sexta-feira que uma conferência sobre segurança nuclear foi “um sucesso”, apesar dos países-membros terem se recusado a dar à agência quaisquer poderes para fazer cumprir novas medidas de segurança.

Associated Press

24 Junho 2011 | 14h45

Yukiya Amano, chefe da agência nuclear da ONU, disse que a conferência traçou um caminho pós-Fukushima para evitar ou mitigar futuros desastres em reatores nucleares.

Mas embora as recomendações aprovadas pela conferência da AIEA sejam ambiciosas - incluindo a revisão de agências regulatórias nacionais por pares e inspeções aleatórias da AIEA sobre a segurança de usinas nucleares – o cumprimento das práticas ainda é voluntário. Seu sucesso dependerá em como serão observadas, e por quantos países.

Amano ainda estava otimista, dizendo nos comentários finais que a reunião “havia alcançado seu principal objetivo, pavimentar o caminho para melhorar o arcabouço global de segurança nuclear”.

“O resultado será um fortalecimento da segurança nuclear, da preparação para emergências e da proteção contra a radiação para as pessoas e para o ambiente em todo o mundo”, disse ele a delegados.

Nos últimos cinco dias, cerca de 30 ministros se juntaram a cerca de 1.000 especialistas para debater lições aprendidas com o desastre nuclear japonês – e como reduzir as chances de novas catástrofes.

Documentos da conferência mostram que os delegados estavam satisfeitos em trabalhar para melhorar as atuais práticas de segurança e medidas de emergência sem dar à AIEA o papel de fazê-las cumprir.

Relatório da AIEA publicado antes da conferência em Viena refletia as limitações da dependência do cumprimento voluntário. Chegou a culpar o Japão por não implementar várias das medidas de segurança da agência nos anos anteriores ao desastre de Fukushima.

Amano reconheceu que somente a implementação de novas práticas de segurança, mais amplas, as tornará efetivas.

“A questão não é o processo, é o resultado”, disse.

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