Restrição de crédito e fiscalização diminuem desmatamento

Segundo o ministro Carlos Minc esses foram os principais motivos da redução para 323 km² no mês de agosto

João Domingos, de O Estado de S. Paulo,

29 Agosto 2008 | 18h18

O desmatamento de 323,7 quilômetros quadrados na Amazônia, em julho, foi o menor para este mês, sempre crítico por causa da seca, desde que o sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) iniciou suas atividades, em 2004. Para o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, dois foram os fatores principais para a redução na derrubada da mata: a restrição ao crédito agrícola para propriedades da Amazônia ilegais do ponto de vista ambiental e o aumento da fiscalização por parte do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).   Veja também:  Desmatamento cai 63% e atinge menor nível desde março  Veja a série histórica do desmatamento    Minc calculou que de agosto do ano passado a julho deste ano, quando é feita a aferição anual pelo sistema que trabalha com dados definitivos - o Prodes - a respeito da derrubada da mata, o desmatamento deve ficar em torno de 12 mil quilômetros quadrados, superior aos 11.532 verificados de agosto de 2006 a julho de 2007, o menor desde o início da medição. Em janeiro, quando verificou-se que o desmatamento aumentara em demasia, o Ministério do Meio Ambiente chegou a previsões dramáticas, acima dos 18 mil quilômetros quadrados no fechamento dos 12 meses.   "Apesar da queda substancial , de 68,4% em relação ao mês de julho de 2007, não há motivos para comemorar. Temos de continuar vigilantes", disse Carlos Minc. Em julho do ano passado, o sistema detectou a derrubada de 1.025 quilômetros quadrados de mata amazônica. Tanto em 2007 quanto em 2008, havia poucas nuvens nos céus da região e a visibilidade era superior a 80%.   Além do aumento da fiscalização do Ibama, com até 40 ações diárias simultaneamente, e da restrição ao crédito agrícola para quem desmata, Minc atribuiu a queda no índice de desmate a algumas outras decisões tomadas pelo seu ministério. Entre elas, os acordos feitos com frigoríficos, mineradoras e indústrias de óleo de soja para que não comprem produtos dos que estão em situação irregular, a vigilância sobre os 36 municípios amazônicos que mais depredam a floresta e o recadastramento das propriedades rurais.   Queda nos índices   A constante queda nos índices de desmatamento na Amazônia foi atribuída pelo ministro não só a fatores objetivos, como restrição ao crédito agrícola, apreensão de bois, embargos de propriedades e aumento da fiscalização. Nume suas costumeiras escorregadelas, encontrou também uma justificativa pouco provável para as boas notícias: ele próprio. "Carlinhos Minc é pé quente. Já viram", disse, ao celebrar a redução no desmate.   O ministro é conhecido pelo show à parte em que costuma transformar toda aparição pública. Ontem, durante a entrevista coletiva em que anunciou a queda nos índices de derrubada da floresta, não foi diferente. Disse que não queria falar muito, para não cansar os repórteres, aliás, "as repórteres", segundo observou, "sempre em maioria". Disse que ainda está preocupado com o mês de agosto, que ainda fica na estação seca. Olhando para cima, orou: "Não pode aumentar, Deus do céu!"   Em seguida, imitou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que para elogiar seu próprio governo criou o bordão "nunca antes na história desse País". Ao falar sobre o feito inédito ocorrido em julho, quando foi verificado o desmatamento de 323,7 quilômetros quadrados, Minc saiu-se com esta: "Nunca antes na história do Deter (o satélite que vigia as áreas abertas na floresta) houve tamanha queda num mês de pico."   Fuga de bois   Minc comemorou nesta sexta-feira, 29, a venda dos mais de 3 mil bois apreendidos há cerca de dois meses na Fazenda Lourilândia, localizada na Reserva Florestal da Terra do Meio, em Altamira, Pará. Disse que apesar de o leilão ter sido feito pelo preço mínimo - pouco mais de R$ 1,3 milhão -, a lição que ficou é que não será tolerada a criação de gado dentro de reservas florestais. "Nosso papel não é vender boi. É tirar o gado dos locais onde ele não pode ficar."   Minc disse que a Operação Boi Pirata vai continuar. E que recebeu a notícia de que 36 mil cabeças que ainda estava na Terra do Meio foram tiradas de lá. Também foi informado de que as 4 mil cabeças de gado nelore que eram criadas numa na Floresta Nacional de Jamanxin, em Novo Progresso, sudoeste do Pará, onde ele esteve há um mês, foram levadas embora. Na ocasião, Minc autuou os pretensos proprietários da propriedade e os multou em R$ 10 milhões.

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