Omar Freire/Divulgação
Omar Freire/Divulgação

Reino Unido concede licenças eólicas; financiamento é obscuro

O investimento de capital está estimado em US$ 120 bilhões e visa suprir 25 % da eletricidade do país em 2020

Victoria Bryan e Nao Nakanishi, Reuters

08 Janeiro 2010 | 14h45

A Grã-Bretanha concederá direitos de explorar a energia o desenvolvimento de alguns dos maiores parques eólicos do mundo, o que provocou uma verdadeira corrida de empresas para ganhar financiamento para os projetos de manutenção complexa, arriscada e alta. 

 

O Crown Estate, responsável pelas áreas costeiras e marinhas da Grã-Bretanha, anunciou nesta sexta-feira os vencedores da terceira etapa do concurso, incluindo a EDP Renováveis, de Portugal; a Centrica, da Grã-Bretanha; a E. ON AG, da Alemanha; e a Vattenfall, da Suécia. 

 

No total, o governo espera que o programa irá entregar 32 gigawatts de energia, ou o suficiente para atender um quarto da demanda de eletricidade do Reino Unido em 2020. 

 

O investimento de capital necessário para os projetos foi estimado em cerca de 75 bilhões de libras (ou 119,6 bilhões dólares), embora a Carbon Trust, que aconselha o governo, tenha afirmado que uma montagem cuidadosa e novas tecnologias poderiam reduzir o custo para 45 bilhões. 

 

No entanto, encontrar fundos para parques eólicos não é fácil e os utilitários têm recorrido mais ao uso de dinheiro de seus próprios balanços financeiros. 

 

A localização dos parques, muitas vezes em águas profundas, também apresenta desafios técnicos, incluindo a forma de oferecer manutenção e lidar com as falhas potenciais de engrenagem no inverno. "A atenção agora vai se virar para a entrega, onde o setor privado terá necessidade de demonstrar que pode desenvolver as soluções técnicas e financeiras. A corrida pelo capital está de pé", disse o diretor da equipe de assessoria para energia e meio ambiente da Ernst & Young, Arnaud Bouille

 

Além disso, os subsídios do governo para os projetos não são claros, como uma eleição geral deve acontecer este ano e os novos locais não devem começar a construção até depois de 2015.

 

Nova era 

"Esta é uma variável crucial, que terá de ser corrigida antes que os investidores estejam dispostos a se comprometer com níveis significativos de capital para financiar a construção", disse Andy Cox, sócio de energa da KPMG. 

 

A companhia administradora do gás no Reino Unido, a Centrica, uma das poucas empresas que recentemente conseguiu refinanciar os parques eólicos, apelou para um mecanismo de apoio para ajudar a garantir a viabilidade do projeto. "Usina de vento são caras para construir e vamos precisar de um mecanismo de apoio estável de longo prazo para fazer esses investimentos comercialmente viáveis para o futuro previsível", disse o diretor de geração de energia da Centrica, Sarwjit Sambhi. 

 

A terceira etapa do programa vai multiplicar por 10 a capacidade eólica "offshore" da Europa, de acordo com a Associação Europeia para a Energia Eólica. Também poderia fazer do Reino Unido o número 1 do mercado do mundo de energia eólica offshore com desenvolvimento e suporte de até 70.000 empregos até 2020, segundo o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown. "Este é um grande dia para a política energética, para a energia sustentável e para o meio ambiente. Este é um grande dia também para o Reino Unido", disse ele a repórteres. 

 

A maior área concedida foi Dogger Bank, que tem o potencial para gerar até 9 gigawatts de energia, ou o suficiente para abastecer cerca de nove milhões de lares. 

 

Forewind, uma joint venture entre as empresas Scottish & Southern Energy Plc, a Npower RWE, a Statoil ASA e a Statkraft, será responsável pelo desenvolvimento da região, situada a 125 quilômetros da costa de Yorkshire, no norte da Inglaterra. 

 

"Este é um  projeto extremamente interessante e abre uma era completamente nova para a energia eólica offshore", anunciou o consórcio Forewind. "No entanto, existem muitos desafios técnicos e logísticos a serem abordados."

Mais conteúdo sobre:
planeta ambiente energia eólica energia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.