Redução no desmate da Amazônia não é satisfatória, alerta ONU

Diretor do Pnuma, Achim Steiner, acredita que, apesar dos progressos, 'a situação ainda é alarmante'

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

04 Março 2009 | 14h46

A ONU alerta que os progressos feito no Brasil para a redução do ritmo do desmatamento na Amazônia ainda não são satisfatórios. "Tivemos alguns avanços, mas a realidade é que a situação ainda é alarmante", afirmou o principal executivo das Nações Unidas para temas ambientais, Achim Steiner. Em entrevista ao Estado, o diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) ainda alerta que "os incentivos para manter a floresta de pé ainda são menores que os incentivos econômicos para derrubá-la". Eis os principais trechos da entrevista:   Veja também: Desmate na Amazônia equivale a metade da cidade de São Paulo Minc anuncia queda de desmatamento na Amazônia Diário da Amazônia - janeiro de 2008 A evolução do desmatamento na Amazônia    O Brasil divulgou nesta semana seus novos número de desmatamento da Amazônia. Como o sr. vê o ritmo de desmatamento. Tivemos alguns avanços, mas a realidade é que a situação ainda é alarmante. Há sinais preocupantes ainda e isso até agora não mudou. Os avanços ainda não são suficientes.   Apesar de tantos alertas e medidas, porque é que os governos na região amazônica não conseguem frear de forma suficiente o desmatamento. Simplesmente porque os incentivos para manter a floresta de pé ainda são menores que os incentivos econômicos para derrubá-la. A pressão econômica ainda é grande sobre a floresta. O Brasil e a América do Sul tem um grande recurso natural que precisa agora ganhar um valor econômico para que seja preservado. Hoje, a floresta amazônica é o grande responsável pela chuvas em grande parte da América do Sul. É uma espécie de bomba d'água. Se o desmatamento continuar, os governos terão prejuízos com a produção agrícola, com a exportação de commodities, no abastecimento de hidrelétricas e vários outros problemas econômicos. O ideal é de se tomar em conta exatamente essa realidade e dar um valor econômico real à floresta.   Na sua avaliação, as políticas do governo estão adequadas para reverter a tendência do desmatamento. Há um problema na tradução das informações que já existem sobre a crise ambiental em política públicas. Os esforços para traduzir tudo o que sabemos em ações terão de ser bem maiores.   Há alguma chance de que o mundo tenha de fato um acordo sobre o clima até o final do ano. Isso terá de ocorrer. Trata-se do acordo mais difícil já negociado, mas ele precisa existir. E todos, ricos e emergentes, terão de contribuir para a redução de emissões de CO2. A questão é qual será a parte de cada um.

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