Dave Martin/AP
Dave Martin/AP

Quase no fim do prazo de teste, não há evidências de vazamentos no Golfo

BP diz estar mais confortável com análise, mas alerta que os testes ainda podem ser estendidos

AP,

17 Julho 2010 | 11h16

NEW ORLEANS - Quase no fim das 48 horas de testes, a petroleira BP foi encorajada neste sábado, 17, pelo resultado parcial. Após a colocação de um tampão instalado sobre o poço, não houve mais indícios de vazamento no Golfo do México. Um dos mandatários da empresa, Kent Wells, disse que não há evidências de pressão, temperatura, sonar ou outro tipo de leitura que apontasse para saída de óleo do local. Mesmo assim, o prazo de testes pode ser estendido.

 

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A ausência de pressão, na verdade, era motivo de preocupação, já que indicaria que poderia haver um novo ponto de vazão no poço além do que foi fechado. "Sempre houve a previsão de que, sob certas circunstâncias, o teste pode ser estendido," afirmou Kent Wells, vice-presidente de exploração e produção da BP. "Quanto mais longe este teste for, mais confiança teremos."

 

O teste tem a intenção de mostrar se a explosão danificou os dutos e o cimento dentro do poço, que pode fazer petróleo e gás natural vazarem pelos lados e possivelmente abrir fendas no solo oceânico. Mesmo assim, os resultados são bons, por enquanto. "Nós estamos nos sentido mais confortáveis", afirmou o vice-presidente da BP. Ele, porém, alertou: "O teste ainda não acabou".

 

Wells disse que ainda não sabe se o tampão será removido após o período de teste, previsto para acabar por volta das 16h deste sábado (horário de Brasília), pois isso é responsabilidade do almirante reformado da Guarda Costeira Thad Allen, principal representante do governo dos Estados Unidos.

 

A BP fechou o vazamento na quinta-feira, interrompendo o fluxo descontrolado de óleo para as águas do Golfo pela primeira vez desde 20 de abril, quando a explosão da plataforma petrolífera Deepwater Horizon causou o pior derramamento de petróleo da história dos Estados Unidos e uma catástrofe ambiental na região.

Com a rolha gigante mantendo o óleo no poço, cientistas analisam o acúmulo de pressão debaixo da terra, para evitar um desastre ainda maior.

 

Consequências. O desastre ambiental deixou bolas de piche ao longo da costa e enormes manchas de óleo na água do golfo. Além das consequências ambientais, as econômicas e psicológicas também afetaram pesadamente os habitantes de Mississippi, Louisiana, Texas, Flórida e Alabama. Teme-se que outros Estados, como Carolina do Sul e Carolina do Norte, sejam atingidos pelo óleo cru nos próximos meses.

 

A indústria pesqueira foi especialmente afetada. Entre a população de ostras da região, responsável por cerca de 70% do mercado interno, foi registrada uma grande quantidade de mortes.

 

A empresa BP também sofreu um duro golpe com os desdobramentos da explosão da plataforma. Seu prejuízo foi de bilhões de dólares até agora, causado por gastos com limpeza e reparos nas áreas atingidas, indenizações e pela queda do preço de suas ações, que chegaram quase à metade do valor que tinham antes do vazamento.

 

Atualizada às 11h41 para acréscimo de informações

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