Protocolo de Kyoto tem última chance com início de negociações

Quase 200 países iniciaram as conversações sobre o clima mundial nesta segunda-feira com o tempo se esgotando para salvar o Protocolo de Kyoto que visa reduzir as emissões de gases de efeito estufa, culpados pela elevação dos níveis dos mares, tempestades intensas, secas e problemas nas safras agrícolas.

JON HERSKOVITZ E AGNIESZKA FLAK, REUTERS

28 Novembro 2011 | 11h44

Os países vêm debatendo há anos e são poucas as esperanças de qualquer grande avanço, apesar das advertências cada vez mais terríveis de cientistas climáticos. Diplomatas também se perguntam se a África do Sul, que sedia o encontro, está à altura do desafio de intermediar as negociações duras que se seguirão até 9 de dezembro, em Durban.

As nações pobres dizem que os países ricos enriqueceram usando carvão, petróleo e gás e eles devem ter permissão de se desenvolver para sair da pobreza. As nações desenvolvidas, por outro lado, argumentam que grandes economias em desenvolvimento, como Brasil, China e Índia, precisam se submeter às metas de emissões se o mundo quiser alguma chance de impedir alterações climáticas perigosas.

Dois relatórios da Organização das Nações Unidas este mês apontaram que os gases de efeito estufa atingiram níveis recordes na atmosfera e o aquecimento mundial provavelmente resultará em mais enchentes, ciclones mais fortes e secas mais intensas.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) disse que a temperatura média global pode subir de 3 a 6 graus Celsius até o final do século se os governos não conseguirem conter as emissões, trazendo uma destruição sem precedentes, com derretimento das geleiras e subida do nível do mar.

O Protocolo de Kyoto obriga a maioria das nações desenvolvidas a se submeter às metas de redução das emissões de gases de efeito estufa que aquecem o planeta. As conversas em Durban são a última chance para definir uma nova rodada de metas antes do término da primeira fase do protocolo em 2012.

"Pode parecer impossível, mas vocês podem fazer isso", disse Christiana Figueres, secretária-executivo da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática, aos delegados.

PEQUENOS PASSOS

Os diplomatas esperam que haja algum progresso no financiamento para ajudar os países em desenvolvimento que correm mais risco de sofrer os efeitos do aquecimento global, especialmente na África e pequenas nações insulares.

Os países ricos se comprometeram com a meta de fornecer 100 bilhões de dólares por ano até 2020. Mas os Estados Unidos e a Arábia Saudita se opuseram a alguns aspectos do Fundo do Clima Verde, que irá ajudar a lidar com isso.

Há também uma chance de alguns países ricos pedirem cortes mais profundos das emissões.

Mas a crise da dívida na zona do euro e nos Estados Unidos torna improvável que esses países ofereçam mais ajuda ou imponham novas medidas que possam prejudicar as suas perspectivas de crescimento.

"Dada a situação política e econômica global atual, a renovação do Protocolo de Kyoto é altamente improvável", disse Jennifer Haverkamp, diretora do programa internacional do clima para o Fundo de Defesa Ambiental. "Mas isso não é desculpa para não fazer nada."

Qualquer acordo depende da China e dos Estados Unidos, principais emissores mundiais, concordarem com uma ação obrigatória dentro de um acordo mais amplo até 2015, algo que ambos têm resistido por anos.

Rússia, Japão e Canadá dizem que não irão assinar um segundo compromisso do Protocolo de Kyoto a menos que os maiores emissores também o façam.

Enviados acreditam que possa haver um acordo para uma nova rodada de metas obrigatórias, mas provavelmente apenas a União Europeia, Nova Zelândia, Austrália, Noruega e Suíça assinarão.

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