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Projetos evitam o desperdício de água

João Domingos

02 Julho 2008 | 23h 57

Alternativas, como captação em época chuvosa e uso de sanitários secos, atenuam estiagem

Desde a década de 90, governos e sociedade vêm debatendo formas de conservar o que restou do cerrado, com a finalidade de buscar tecnologias embasadas no uso adequado dos recursos hídricos, na extração de produtos vegetais nativos, nos criadouros de animais silvestres, no ecoturismo, além de outras iniciativas que possibilitem um modelo de desenvolvimento sustentável da região.    Biomanta ajuda a resgatar áreas degradadas  Matas podem arder em fornos de siderúrgicas  Bioma em pé rende US$ 20 bi  59% da vegetação sofreu transformação  Referência mundial  Semi-árido tem saída até contra a fome  Unir sustentabilidade e preservação é desafio  Área protegida beneficia a pesca  Criação de reserva privada colabora com biodiversidade  Incentivo para conservar  Florestas de eucalipto substituem campos  Muito além da Amazônia   Galeria de fotos   Os biomas brasileiros  "Cumprimento das legislação pelos proprietáros rurais não é o suficiente para preservação"  "É mais fácil lutar por um ecossistema com a ajuda da sociedade"   Uma das entidades que mais se destacaram na luta pela preservação foi o Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (Ipec), montado em 1998 em um sítio, em Pirenópolis, a 120 km ao norte de Goiânia.   "Tentamos preservar e recuperar o cerrado por intermédio da permacultura, um método de trabalho no qual usamos recursos do próprio terreno para armazenar e gerar o máximo possível de energia. Construímos casas com solo local, captamos água da chuva, tratamos nossa água utilizada e usamos sanitários secos. Essas são algumas de nossas tecnologias", conta Felipe Horst, do Ipec.   Para ele, as tecnologias mais relevantes para o bioma são as que buscam armazenar e poupar água ao máximo possível, já que na região o clima é definido com seis meses de chuva e seis de seca, ou até mais, visto que, nos últimos anos, a estação seca tem se prolongado.   O instituto ministra cursos durante todo o ano sobre as técnicas utilizadas. A permacultura foi criada pelos australianos Bill Mollison e David Holmgren e, em resumo, significa cultura permanente.   Para poupar água, o Ipec só usa sanitário compostável, que transforma fezes humanas em adubo sem utilização de água no processo. "Água, só para lavar a mão", diz Horst. Após o período de seis meses em que as fezes ficam armazenadas no sol (compostagem), não lhes resta qualquer vestígio. O adubo resultado daí vai para os jardins, evitando-se o desperdício de aproximadamente dez litros de água por descarga. A tecnologia foi finalista do prêmio Tecnologia Social 2005, da Fundação Banco do Brasil.   Reutilização   Outra técnica usada e ensinada pelo Ipec em cursos é a da biorremediação. Por ela, a água utilizada em chuveiros e pias (conhecida como água cinza) passa por uma série de filtros naturais, compostos por plantas comuns, até ficar tão ou até mais limpa do que a original. Após a filtragem, a água é usada para irrigar hortas e jardins.   O instituto trabalha ainda com a captação de água da chuva em tanques. "Como enfrentamos seis meses de seca aqui no cerrado, é vital armazenarmos água", afirma Horst.   Durante a época chuvosa, o Ipec capta milhares de litros de água potável diretamente dos telhados dos seus imóveis, que são guardados em tanques lacrados. Feitos à base de ferro e cimento, esses reservatórios têm apenas dois centímetros de espessura e são a forma mais barata para armazenamento de líquido em quantidade.   Um tanque de 25 mil litros custa cerca de R$ 1 mil. E a água captada é a fonte de água potável para os seis meses de estiagem.