Issei Kato/Reuters
Issei Kato/Reuters

Presidente mexicano sugere revisão no princípio de unanimidade da ONU

Ele diz que é preciso garantir paticipação de todos para que se consiga um acordo aprovado pela 'esmagadora maioria'

Chisa Fujioka, Yoko Kubota e Toshi Maeda, Reuters

02 Fevereiro 2010 | 12h22

O presidente do México Felipe Calderon, que será o anfitrião da Conferência do Clima das Nações Unidas de 2010, fez um apelo por uma revisão nos processos de decisão das Nações Unidas, que preconizam unanimidade. Segundo ele, é muito difícil conseguir consenso absoluto nas negociações.

 

O fraco acordo climático conseguido em Copenhague em dezembro trouxe à tona a vulnerabilidade das normas de consenso das Nações Unidas, pois as negociações quase fracassaram, com os países em desenvolvimento insistindo na revisão de todo e qualquer texto, em uma plenária que reunia 193 países.

 

“Temos que perceber que é muito difícil chegar a um consenso absoluto entre as partes todas. Provavelmente teremos de voltar atrás nos princípios das Nações Unidas”, disse Calderon em Tóquio.

 

“Temos de rever esses princípios e provavelmente teremos de investigar quais poderiam ser os melhores mecanismos para permitir a participação de todos, mas ao mesmo tempo permitir que se chegue ao melhor resultado possível, ao acordo mais plausível que possa ser aprovado pela esmagadora maioria dos membros”.

 

O Acordo de Copenhague buscou limitar o aumento de temperatura a 2ºC acima dos níveis médios da era pré-industrial e institui um fundo de US$ 100 bilhões por ano, até 2020, com a finalidade de ajudar os países em desenvolvimento a combater os efeitos do clima.

 

 Mas não houve metas de cortes de emissões e nenhum compromisso dos países membros no sentido de assinar um sucessor do Protocolo de Quioto.

 

 “O sistema de consenso tem seus prós e contras. O importante é nos juntarmos em torno de um denominador comum”, disse o presidente, reforçando que um acordo legalmente vinculativo é importante.

 

“Não importa o quão pequeno seja, mas um denominador comum tem de ser encontrado entre as nações participantes”.

 

O presidente mexicano falou durante uma viagem de três dias ao Japão. O México é a sede da próxima Conferência do Clima da ONU, que acontece em Cancun de 29 de novembro a 10 de dezembro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.