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Prejuízos podem chegar a R$ 9 milhões após incêndio em estação na Antártica

Estimativa é do diretor do Centro Polar e Climático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Jefferson Simões, veterano do Programa Antártico Brasileiro

Agência Brasil,

23 Março 2012 | 18h31

O incêndio que atingiu a Estação Antártica Comandante Ferraz há um mês, destruindo o módulo principal da base, causou um prejuízo estimado em R$ 9 milhões em equipamentos. A estimativa é do diretor do Centro Polar e Climático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Jefferson Simões, veterano do Programa Antártico Brasileiro.

"Todos os laboratórios científicos que estavam dentro da estação foram afetados. A área de biologia foi a mais afetada, já que os laboratórios queimaram completamente. Na próxima semana, devemos finalizar a lista de equipamentos perdidos [durante o incêndio]", disse Simões.

O pesquisador disse esperar que a comunidade científica seja convidada a participar do planejamento da nova Estação Antártica, que deverá começar a ser construída no final de 2013, para substituir a base destruída, como prometeu o governo federal.

"A demanda já feita ao Ministério da Ciência e Tecnologia [e Inovação] é que a estação siga o que há de mais moderno no mercado internacional para estações polares. E que ela seja planejada, tendo como ponto de partida suas metas científicas", disse.

 

 

 

Estação pode ter mantido dados meteorológicos

O módulo meteorológico da Estação Antártica Comandante Ferraz pode ter continuado a coletar e armazenar dados de pesquisa, mesmo depois do incêndio que atingiu a base há um mês. O módulo, que fica afastado da parte principal da base, destruída pelo incêndio, funciona por meio de baterias e pode ter recolhido informações referentes à temperatura, direção e intensidade do vento, umidade relativa do ar e pressão atmosférica.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a estação meteorológica, chamada de Meteoro, tem baterias com carga suficiente para manter o funcionamento dos equipamentos por um mês.

O módulo funciona automaticamente sem a necessidade de pesquisadores no local. Missões do Inpe viajavam regularmente à estação apenas para fazer a manutenção da unidade.

A estação, que também transmitia os dados em tempo real à sede do Inpe, no Brasil, parou de transmitir informações às 2h do dia 25 de fevereiro, justamente no momento em que o incêndio atingia a casa de máquinas principal da Comandante Ferraz. Por isso, não há como ter certeza se a coleta e o armazenamento de dados foram mantidos.

Uma equipe de quatro técnicos do Inpe está neste momento na Ilha Rei George, verificando a situação dos equipamentos e instalando painéis solares e novas baterias no módulo Meteoro. A ideia é que as novas fontes de energia continuem alimentando do módulo, a fim de manter a coleta, o armazenamento e até a transmissão dos dados. Os painéis devem ser instalados até o final da próxima semana.

Ainda que o Inpe não consiga retomar a transmissão remota dos dados, a prioridade é garantir que os dados continuem a ser coletados e armazenados até que o núcleo da Estação Antártica seja reconstruído. O objetivo é manter a série histórica dos dados, iniciada no verão de 1984/1985.

Segundo o diretor do Centro Polar e Climático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Jefferson Simões, módulos de outros tipos de pesquisa, que tampouco foram afetados pelo incêndio, também podem ter mantido a coleta e o armazenamento durante algum tempo. "Tem vários módulos que continuaram coletando dados. O problema é que eles tinham bateria para uma semana, 15 dias, um mês. Então, aos pouquinhos, eles vão parando", disse Simões.

Na madrugada do dia 25 de fevereiro, um incêndio atingiu a casa de máquinas da Estação Antártica. Cerca de 60 pessoas estavam no local no momento do acidente. Dois militares que integravam o grupo-base da Marinha, responsável pela manutenção da base, morreram e um ficou ferido quando tentavam apagar o fogo. A construção da nova base só deve começar no final de 2013.

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