Thomas Lange/Reuters
Thomas Lange/Reuters

Possível veto ao comércio de ursos polares divide ativistas

Grupos dizem que mercado de partes do animal são ameaça pequena se comparada às mudanças climáticas

Matt McGrath, BBC

26 Dezembro 2012 | 13h48

Uma nova tentativa de proibir o comércio global de partes do corpo de ursos polares tem dividido ativistas ambientais. Alguns dizem que o mercado de tapetes e ornamentos feitos de urso está levando a espécie à extinção; outros argumentam que as principais ameaças ao animal são as mudanças climáticas e a redução da área de gelo polar.

O assunto será decidido em março de 2013, em uma conferência ambiental da ONU sobre o comércio de espécies ameaçadas. A organização de proteção dos animais Humane Society International alega que os ursos polares estão a perigo não só por causa das mudanças no clima, mas pelo aumento da caça nos últimos anos.

"O motivo do crescimento do comércio de partes de ursos é a alta dos preços, algo extremamente preocupante", opina Mark Jones, diretor-executivo da organização. Segundo Jones, o número de peles de urso oferecidas em leilões aumentou em 375% nos últimos cinco anos - algumas sendo vendidas pelo equivalente a R$ 25 mil.

Opiniões divergentes

Anualmente, cerca de 600 ursos são mortos legalmente por caçadores no Canadá. Entre 2001 e 2010, foram comercializadas mais de 30 mil partes de ursos, como pele, dentes e patas. Críticos propuseram um veto ao comércio internacional e receberam o apoio de Estados Unidos e Rússia.

Até agora, a mais recente tentativa de proibir a venda de partes dos ursos havia ocorrido em 2010, mas sem sucesso, graças a votos contrários da União Europeia. O argumento vencedor foi o de que a caça não representava uma ameaça significativa para os animais.

Essa opinião é compartilhada por importantes ativistas, como a ONG WWF, que avalia que os perigos provocados pelo comércio internacional são pequenos se comparados às mudanças climáticas. Por isso, a ONG não fará campanha pelo veto, ainda que prefira que ele aconteça.

"Temos que focar na ameaça principal, e não nos distrairmos com uma relativamente menor", afirma Colman O'Criodain, analista de políticas de comércio da WWF. "Podemos dizer que isso (a discussão sobre o veto) é uma distração, que poderia fazer com que as pessoas pensassem que algo está sendo feito (para salvar os animais), quando o efeito será praticamente nulo."

Grupos como o Traffic International e a União Internacional para a Conservação da Natureza têm argumentos semelhantes.

Índios canadenses

Ao mesmo tempo, grupos indígenas no Canadá se opõem ativamente contra a proposta de veto. E criticam especialmente os Estados Unidos por defendê-la.

"O governo americano usa a ameaça de mudanças climáticas para justificar a interrupção no comércio internacional de partes de ursos polares, mas o país é incapaz de fazer qualquer coisa para reduzir suas próprias atividades (de degradação ambiental)", opina James Eetoolook, do grupo Nunavut Tunngavik, que representa os indígenas inuítes.

O grupo cita pesquisas próprias feitas neste ano na Baía de Hudson, no leste do Canadá, indicando que o número de ursos estaria aumentando, em vez de declinar.

Ativistas favoráveis ao veto esperam, porém, que o desfecho seja diferente do de 2010, contando com governos que ainda não decidiram qual será seu voto na conferência da ONU. A Grã-Bretanha, que se opôs ao veto há dois anos, é um dos países que dizem ainda estar "considerando as propostas".

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