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Poluição do ar em SP é duas vezes superior ao limite da OMS

Levantamento da entidade mostra que cidade não conseguiu melhorar índice; Rio reverteu situação, de acordo com análise

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2016 | 01h00

GENEBRA –Os índices de poluição em São Paulo são duas vezes superiores ao teto estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para considerar a qualidade do ar aceitável. Os dados fazem parte de um levantamento publicado nesta quinta-feira, 12, e que analisa a situação de 3 mil cidades ao redor do mundo.

O levantamento se concentra na avaliação das partículas PM 2,5, as menores e com o maior potencial de afetar diretamente os pulmões. Para a entidade, uma cidade somente pode considerar que tem um ar limpo se apresenta uma média de, no máximo, 10 microgramas de PM 2,5 por metro cúbico. Qualquer valor acima representa riscos para a saúde. Para São Paulo, a taxa seria de 19 microgramas de PM 2,5 por metro cúbico (dados de 2014) - quase duas vezes o limite definido pela OMS.

Na avaliação do brasileiro Carlos Dória, um dos responsáveis pelo estudo da entidade internacional, a cidade paulista não conseguiu melhorar sua situação em comparação aos dados do informe passado, de 2012.

No levantamento da OMS, a qualidade do ar do Rio de Janeiro aparecia até 2012 em pior situação que a de São Paulo. Dados de 2010 revelaram uma taxa de mais de três vezes os patamares estabelecidos pela entidade, com 36 microgramas. Agora, com base em dados de 2014, o índice ficou em 16 microgramas.

"O Rio está melhorando", confirmou Dória. Para ele, atletas não devem estar preocupados com o impacto do ar durante os Jogos Olímpicos de 2016, principalmente se comparados ao fato de o evento já ter ocorrido em Atenas e Pequim no passado. Outra cidade que também deu sinais positivos foi Curitiba. Se no informe há dois anos ela aparecia com um índice de 17, hoje sua taxa é de 11.

A OMS também avaliou a situação no interior do Estado de São Paulo. Em Rio Claro, a taxa é de 26 microgramas de PM 2,5 por metro cúbico; em Americana, de 16; em Jaú, de 11, contra 15 em Piracicaba ou 19 em Limeira. Já Santos tem um índice de 18 microgramas. Mas as taxas mais elevadas foram registradas em Santa Gertrude (SP), com 44 microgramas, e Cubatão com 31. 

No restante da América Latina, a situação não é nada confortável. Em Santiago, no Chile, a taxa é de 29 microgramas, uma das cidades com a pior qualidade do ar entre as capitais regionais. Em Caracas, o índice chega a 25, contra 20 na Cidade do México.

Mortes. Segundo a OMS, mais de 7 milhões de pessoas morrem anualmente por causa da contaminação do ar. Apenas 12% da população mundial vive em cidades consideradas com um ar limpo, e metade dos habitantes do planeta está em locais onde as taxas de poluição são mais de duas vezes a taxa considerada como razoável pela OMS.

As estatísticas mostras que uma a cada oito mortes no mundo está relacionada com a exposição a ambientes contaminados.

Pelo mundo, os números mostram que a poluição está concentrada principalmente nos locais mais pobres. Em Dhaka (Bangladesh), a taxa é nove vezes superior aos limites da OMS, contra 13 vezes em Camarões.  Em alguns locais da Índia, a taxa chega a 17 vezes o nível estipulado como seguro, contra 8,5 vezes em Pequim ou quase 13 vezes em Xingtai (China). 

Em Peshawar (Paquistão), a taxa é de 111 microgramas, contra 156 em Riad (Arábia Saudita). Já em Adelaide (Austrália), Ottawa e Nova Iorque, as taxas estão abaixo de 10 microgramas.

Na Europa, as capitais ainda vivem uma situação de transição, com Viena, Bruxelas, Paris, Roma e Berlim tendo praticamente os mesmo níveis do Rio de Janeiro e pouco abaixo de São Paulo. A poluição de Londres também é parte do passado, com uma taxa de 15 microgramas e se aproximando do patamar desejado pela OMS. 

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