B. Rentsendorj/Reuters
B. Rentsendorj/Reuters

Planeta vai esquentar mais de 2°C neste século, diz estudo

Novas projeções estatísticas mostram que existe 90% chance de a temperatura aumentar entre 2 e 4,9 graus em 100 anos e é 'improvável' que os prognósticos mais otimistas se cumpram

O Estado de S.Paulo

31 Julho 2017 | 15h54

A Terra se aquecerá mais de 2°C neste século, segundo um estudo da Universidade de Washington publicado nesta segunda-feira, 31, pela revista britânica Nature. De acordo com a investigação, existe apenas 5% de chance disso não acontecer e 1% de limitar o aumento da temperatura a 1,5°C, o objetivo marcado pelo Acordo de Paris por 195 países, em 2015.

"A nossa análise mostra que o objetivo de 2°C apresenta um melhor cenário", afirmou o diretor da pesquisa, Adrian Raftery, enfatizando que cumprir a meta de reduzir o aquecimento "é factível" caso aconteça um "esforço importante e sustentado durante os próximos 80 anos".

Segundo ele, as novas projeções estatísticas mostram que existe 90% chance de a temperatura aumentar entre 2 e 4,9 graus em 100 anos e é "improvável" que os prognósticos mais otimistas se cumpram. O novo documento leva em conta três aspectos importantes nos quais se sustenta o aumento de emissões de gases causadores do efeito estufa: a população mundial; o PIB per capita; e a quantidade de carbono emitida por cada dólar de atividade, conhecida como a intensidade de emissões de carbono.

Dargan Frierson, outro autor da pesquisa, ressaltou que "os danos causados pelo calor, pela seca, pelo clima extremo e pelo aumento do nível do mar serão muito mais graves se a temperatura subir mais do que 2°C".

Uma das grandes surpresas do estudo foi o fato de que o aumento da população terá um impacto inferior ao esperado na mudança climática, pois a expectativa é de que o crescimento aconteça, principalmente, na África, que utiliza pouquíssimas fontes de combustíveis fósseis. A principal preocupação se centra na intensidade da emissões de carbono, porque a velocidade de diminuição deste valor será crucial para determinar o futuro do aquecimento global.

Um estudo da Universidade do Colorado, por sua vez, também publicado na revista Nature nesta segunda, diz que se o ritmo das emissões nos próximos 15 anos for mantido, o mais provável é que o aumento da temperatura seja de 3°C. O pesquisa analisa a capacidade dos oceanos de absorver o carbono, o desequilíbrio energético e o comportamento das partículas finas na atmosfera.

"Esta análise é fundamental para nos entendermos e para que os políticos percebam quanto tempo temos antes de o planeta alcançar determinados limite", destacou Robert Pincus, um dos autores do estudo. /EFE

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