PF deflagra operação contra desmatamento na Amazônia Legal

Segundo investigações, engenheiros florestais e servidores são suspeitos de fraudar documentos para favorecer madeireiras

Erich Decat, O Estado de S. Paulo

18 Dezembro 2014 | 11h15

BRASÍLIA - A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quinta-feira, 18, em Roraima a Operação Xilófagos com o objetivo de desarticular esquema de desmatamento na Amazônia Legal que envolveria servidores públicos de órgãos ambientais, engenheiros florestais, proprietários rurais e donos de madeireiras na região.

De acordo com a PF, foram expedidos 49 mandados de busca e apreensão e 42 mandados de condução coercitiva de investigados nas cidades de Boa Vista, Rorainópolis, Caracaraí, São João da Baliza. Os mandados são cumpridos também nos Estados do Pará, de Amazonas e do Rio de Janeiro.

São investigadas as seguintes práticas criminosas: fraudes na concessão de autorização de desmatamento, de manejo florestal, ou de guia de transporte florestal (DOF); disponibilidade de créditos florestais fictícios, e que permitem o desmatamento e retirada ilegal de madeira, de áreas não documentadas, de terras públicas ou de áreas protegidas; transporte, processamento e comercialização destes produtos florestais pelas serrarias e madeireiras, as quais recebem o produto "esquentado" com documentação fraudulenta, abastecendo e incentivando, portando, todo o esquema.

Segundo as investigações, engenheiros florestais e demais consultores técnicos utilizavam seus conhecimentos para a elaboração e aprovação de planos de manejo ideologicamente falsos, necessários à obtenção de licenças ambientais para a exploração da atividade madeireira. 

Já os servidores públicos de órgãos ambientais eram responsáveis pelo impulso dos processos administrativos de aprovação dos planos de manejo e exploração florestal, expedição de guias. 

Por sua vez, os proprietários rurais atuavam em conluio com consultores técnicos, engenheiros e, até mesmo, servidores públicos para que a madeira, extraída ilegalmente de outras áreas, pudesse ser "esquentada" e efetivamente comercializada. 

Por fim, os donos das madeireiras concentravam as madeiras extraídas ilegalmente no interior das áreas e transportavam até os pátios das empresas, onde eram comercializadas.

De acordo com as investigações, os proprietários das madeireiras são os principais beneficiários de todo esquema, aferindo os maiores lucros e situados na ponta da pirâmide criminosa.

O nome da operação resulta da combinação de xilo, do grego "ksúlon", que significa "madeira", com fago, do grego "phagein", que significa "comer". Um xilófago é um inseto que se alimenta de madeira.

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