‘Parceria exige relação de confiança e compromisso’

IFC diz que é preciso ter 'total confiança' para financiar empresários na Amazônia

Afra Balazina, O Estado de S. Paulo

28 Abril 2010 | 10h39

O International Finance Corporation (IFC), braço financeiro do Banco Mundial para o setor privado, quer financiar empresários que atuam na Amazônia, mas diz que é preciso ter “total confiança” na empresa.

 

No ano passado, o IFC rompeu um contrato com o frigorífico Bertin após denúncias que mostravam a relação entre a produção de carne e o desmatamento da Amazônia. Em entrevista, a vice-presidente do IFC, Rachel Kyte*, falou ao Estado.

 

Vocês pretendem manter financiamento para o setor de agronegócio na Amazônia?

É muito importante para nós ter uma relação de confiança e compromisso com o outro, assim como em toda parceria. Então, quando trabalhamos com uma empresa, especialmente numa área com alta complexidade e alguma controvérsia, essa confiança é fundamental. E quando se perde a confiança, sente-se a pressão de ir embora. Mas não temos medo dessas situações difíceis. Acredito que o IFC deve trabalhar com empresas comprometidas para encontrar uma maneira de equilibrar o aumento da produtividade com a redução do impacto ambiental.

 

Há muitos brasileiros interessados no financiamento do IFC?

Sim. Apesar de existirem muitas companhias que não querem seguir os padrões exigentes ambientais do IFC, encontro muitas pessoas que compreendem que o crescimento do negócio depende totalmente do equilíbrio com as necessidades do ecossistema e da demanda global pelo produto.

 

E quais são as dificuldades dos empresários?

Um dos problemas no Brasil é que fazer a coisa certa sai mais caro. Muitos empresários ficam preocupados com o cenário político, especialmente em época de eleição, quando as pessoas prometem muitas coisas. O setor requer políticas previsíveis e que se mantenham por anos.

 

* Rachel Kyte é vice-presidente da IFC. Tem bacharelado em Ciências Políticas e História e mestrado em Relações Internacionais. Está no IFC desde 2000, na área de consultoria. Foi da equipe da União Internacional para Conservação da Natureza.

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