Parasita leva risco de malária aos pingüins de Galápagos

Espécie semelhante à responsável por causar a doença é encontrada nas aves do arquipélago

The New York Times,

19 Agosto 2008 | 15h50

Um parasita foi encontrado entre os pingüins de Galápagos, levando cientistas a temer o surgimento de malária aviária, uma doença que contribuiu para a taxa de extinção de 50% entre os pássaros endêmicos do Havaí.   A descoberta é resultado de um estudo de longo prazo para o monitoramento de doenças nas aves de Galápagos, conduzido por pesquisadores da Universidade do Missouri, St. Louis, o Zôo de St. Louis, o Parque nacional de Galápagos e a Fundação Charles Darwin.   Diferentemente de outros arquipélagos remotos, como o Havaí, Galápagos, a 1.000 km da costa do Equador, mantém 95% de suas espécies originais e todos seus pássaros. "É o melhor registro que existe na Terra", disse Patty Parker, professora de estudos zoológicos da Universidade do Missouri, St. Louis, que descobriu o parasita nos pingüins. Noventa e sete por cento do território das ilhas é protegido, e as águas ao redor são uma das maiores reservas marítimas do mundo.   Parker disse que o parasita é do gênero plasmodium, que inclui diversas espécies causadoras de malária. O parasita recém-descoberto parece ser de uma nova espécie, e ainda não recebeu nome.   O parasita foi provavelmente introduzido por atividade humana, disse ela. O turismo aumentou de 140 mil visitantes em 2006, a partir de 40 mil em 1990.   Isso atraiu imigrantes do Equador continental para trabalhar na indústria turística, elevando a população a um número estimado em 30 mil, ante 8 mil em 1990.   Em 2007, o arquipélago, um patrimônio natural reconhecido pela Unesco, foi declarado "ameaçado" pela entidade internacional. O número de insetos invasores chegando às ilhas, presumivelmente com o influxo de pessoas, aumentou "exponencialmente", disse Parker. Essa incursão provavelmente continuará, pelo menos no futuro próximo.   O turismo representa 51% da economia, de acordo com relatório da Fundação Darwin.   Quarentenas introduzidas recentemente, que fumigam aviões de passageiros e cargas de material científico com destino a ilhas desabitadas são, na visão dos especialistas, encorajadoras, mas insuficientes. Por exemplo, não há controle sobre os barcos particulares, e navios de carga não são tratados da mesma forma que navios de turismo.   Os pesquisadores ainda não sabem se o tipo de plasmódio nos pingüins é um ameaça. Os pássaros parecem saudáveis. Isso pode ser porque esta espécie particular de plasmódio não causa malária. Ou o parasita pode estar ganhando tempo, esperando para proliferar nos pingüins em tempos de estresse, como uma falta de alimento, outras doenças ou durante o chuvosos El Niño, que faz com que  as populações de insetos cresçam explosivamente.   Pesquisadores estão tentando determinar que tipo de mosquito está transmitindo os parasitas aos pingüins. No Havaí, o culpado foi o Culex quinquefasciatus, uma espécie de mosquito que chegou a Galápagos em meados dos anos 80.   A outra possibilidade é  Ochlerotatus taeniorhynchus, um mosquito que pode ser nativo do arquipélago. A espécie também pode carregar o parasita que causa malária.   Administradores do parque gostariam de erradicar o mosquito culpado, e isso pode ser possível no caso do Culex, porque ele precisa de água doce para procriar, um recurso limitado durante a estação seca. Ochlerotatus se reproduz em água salobra, no entanto, que existe por todas as ilhas, o que tornaria a erradicação difícil.   Além disso, como o mosquito é nativo, ele seria protegido, diz a diretora do Laboratório Valverde de Galápagos, Virna Cedeno. "Ele pode não ser bonito como pingüim, mas é uma espécie a proteger".

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