Papa canoniza duas freiras palestinas

O papa Francisco proclamou duas mulheres palestinas como santas neste domingo, numa cerimônia na Praça São Pedro, apenas dias depois de o Vaticano ter formalizado o seu reconhecimento do Estado da Palestina.

REUTERS

17 Maio 2015 | 10h35

A canonização da irmã Marie-Alphonsine Danil Ghattas, fundadora das Irmãs do Santíssimo Rosário de Jerusalém, e de Maryam Baouardy, que fundou um convento carmelita em Belém, não foram diretamente relacionadas com o anúncio de quarta-feira do Vaticano sobre um novo acordo com o Estado da Palestina.

Contudo, a cerimônia, com a presença do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e uma delegação de importantes clérigos, incluindo o Patriarca Latino de Jerusalém, Fouad Twal, mostra a iniciativa do papa para ajudar as comunidades cristãs do Oriente Médio.

A Praça São Pedro estava decorada com os retratos das palestinas e duas outras recém-santificadas freiras, a francesa Jeanne-Emile de Villeneuve e a italiana Maria Cristina da Imaculada Concepção Brando.

Em comunicado feito quando partia para o Vaticano na semana passada, Twal afirmou que Ghattas e Baourdy, que entraram nas ordens religiosas quando adolescentes no século 19 e morreram em 1927 e 1878, respectivamente, foram exemplos para os cristãos, muçulmanos e judeus.

"É um sinal do nosso tempo moderno que indica que podemos falar das três religiões sem discriminações”, disse o comunicado.

As canonizações das duas palestinas foram as primeiras do tipo “desde os dias dos apóstolos”, declarou Twal.

Abbas, a quem o papa chamou de “um anjo da paz” quando os dois se encontraram no sábado, disse em comunicado que o exemplo das duas novas santas “afirma a nossa determinação para construir uma Palestina soberana, independente e livre, baseada nos princípios da cidadania igualitária.”

O pontífice pediu aos palestinos cristãos para não emigrar, e sim “ficar conosco e desfrutar dos direitos de cidadania plena e igualitária, e suportar conosco as dificuldades da vida até conseguirmos a liberdade, a soberania e a dignidade humana”.

Ghattas é considerada como a pessoa que montou a primeira congregação religiosa na sua cidade natal, Jerusalém. Emile Munir Elias, que segundo o Vaticano foi curada pela interseção de Ghattas, esteve presente na canonização com a mãe.

A santidade costuma ser confirmada pela Igreja Católica quando dois milagres são atribuídos a uma pessoa já morta.

(Reportagem de James Mackenzie e Isla Binnie)

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