AFP PHOTO /MICHAEL KAPPELER
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G-7 decide banir uso de petróleo, gás natural e carvão até 2100

Grupo vê necessidade de fazer ‘cortes importantes’ nas emissões, com o objetivo de limitar o aumento da temperatura média da Terra

Andrei Netto, CORRESPONDENTE

08 Junho 2015 | 21h20

PARIS - Os líderes políticos do G-7, cúpula dos chefes de Estado e de governo de Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, França, Reino Unido e Itália, anunciaram nesta segunda-feira, 8, na cidade alemã de Elmau, a intenção de banir os combustíveis fósseis de seus países até 2100. A medida é divulgada a seis meses da 21.ª Conferência do Clima (COP 21), que acontecerá em Paris, e deve resultar em um novo acordo climático para conter o aquecimento global.

O acordo foi anunciado em comunicado emitido pelo G-7 no fim da tarde desta segunda. O texto ressalta a necessidade de fazer “cortes importantes” nas emissões de gases de efeito estufa - em especial o dióxido de carbono -, com o objetivo de limitar o aumento da temperatura média da Terra em 2ºC até o fim do século, como alerta o Painel Intergovernamental do Clima das Nações Unidas (IPCC). 

Para tanto, os líderes do G-7 assumiram o compromisso de livrar seus países dos combustíveis fósseis, a principal fonte de emissão de CO2 até 2100. Os objetivos fixados são de reduzir as emissões em 40% a 70% em 2050, com base no total emitido em 2010. “Isso deve beneficiar todos os países com uma trajetória de desenvolvimento resiliente e sóbria em carbono, compatível com o objetivo geral de manter a alta da temperatura média no mundo abaixo de 2ºC”, afirmaram os líderes.

Compromisso. De acordo com o consenso da comunidade científica e o IPCC, o objetivo de limitar o aquecimento global passa pelo abandono dos combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão, que são hoje as grandes matrizes energéticas do mundo. “Nós nos comprometemos a fazer a nossa parte para obter uma economia sem carbono em longo prazo, incluindo o desenvolvimento de tecnologias inovadoras que contribuam para a transformação dos setores energéticos em 2050.”

O compromisso final foi “resultado de negociações difíceis”, afirmou a chanceler alemã, Angela Merkel. Os quatro países europeus do G-7 defendiam uma formulação de texto até mais veemente e ambiciosa - recentemente, foram os primeiros, via União Europeia, a propor metas de redução dos gases de efeito estufa. Mas encontraram oposição do Canadá e sobretudo do Japão, cuja indústria energética ainda tem grande base em carbono.

US$ 100 bilhões. Além da reconversão da matriz energética, os líderes do G-7 confirmaram a disposição de investir até US$ 100 bilhões até 2020 na luta contra as consequências das mudanças climáticas - um dos compromissos na mesa de negociações para um acordo do clima na COP-21. O compromisso para o financiamento foi firmado em 2009, na 15.ª Conferência do Clima, em Copenhague, na Dinamarca. “Este acordo deve melhorar a transparência e a responsabilidade, com regras obrigatórias para assegurar o acompanhamento dos progressos em matéria de realização de objetivos, o que favoreceria um nível maior de ambições com o passar do tempo”, diz o comunicado.

Anfitrião da COP-21, o presidente da França, François Hollande, lembrou que a redução acertada pelo G-7 deve se dar “no quadro de uma resposta mundial”, a ser negociada até a Conferência do Clima, que terá início no fim de novembro, em Le Bourget, nos arredores de Paris. “Os engajamentos são ambiciosos e realistas”, afirmou o chefe de Estado francês. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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