Divulgação/TERRACYCLE
Divulgação/TERRACYCLE

Pacotes de salgadinho e lixo eletrônico viram acessórios

Iniciativas criativas dão destinação correta a materiais difíceis de reciclar

Fernanda Fava, especial para O Estado

26 Fevereiro 2010 | 00h03

Na São Paulo Fashion Week, sacos de cimento viraram artigos de luxo nas mãos dos estilistas da marca Cavalera. Fora das passarelas, o mesmo conceito de reutilizar produtos – o chamado upcycle – transformou pacotes de salgadinhos Doritos e lixo eletrônico em bolsas e bijuterias.

 

Veja também:

linkFashion London: moda ética, muito além do reciclado

link No Brasil, moda eco ainda engatinha, mas ganha fôlego 

link Entrevista: ‘A indústria da moda precisa acordar para a sustentabilidade’

 

Recém-chegada ao Brasil, a empresa americana TerraCycle enxergou esse potencial e cria acessórios confeccionados de lixo. De embalagens usadas de salgadinhos Elma Chips e sucos Tang, eles fazem bolsas, mochilas, pochetes, estojos, cadernos, guarda-chuvas e até capas para caixas de som.

 

“Estamos dando uma solução criativa para produtos e materiais que não podem ser reciclados e antes iam parar em aterros sanitários”, diz o presidente da empresa, Tom Szaky. “E, para isso, usamos a matéria-prima mais barata que existe: o lixo.” O problema dos pacotes de salgadinho e de bolachas é que eles são feitos de um material misto entre plástico e alumínio. Comparados a outros tipos de plástico, como o PET, são mais difíceis de reciclar.

 

O processo da TerraCycle – tanto nos EUA como aqui – funciona assim: você se cadastra no site e envia para a empresa, gratuitamente, as embalagens que coletou. Aqui, os produtos são desenvolvidos por cooperativas e vendidos por preços entre R$ 10 e R$ 30 na rede Walmart.

 

Lixo eletrônico

Com a mesma intenção de Szaky, a artista plástica paulista Naná Hayne cria bijuterias, artigos de decoração, artesanato, esculturas e telas a partir de lixo eletrônico, que, assim como os pacotes de bolachas, são mais difíceis de se reciclar.

 

“Um dia minha impressora não estava funcionando. Tive um acesso de raiva e quebrei o cabo do aparelho. Descobri que podia fazer arte”, conta. “Pego computadores em assistências técnicas e uso disco rígido, cabo de impressora, peças de teclado, chips, monitores.”

 

Seus clientes são, principalmente, jovens conectados e consumidores de novas tecnologias, que compram os artigos pela estética, mas também pela consciência ecológica. "É um incentivo a reutilizar antes de reciclar", diz.

 

As peças da artista ajudam a amenizar o (imenso) problema que o lixo eletrônico representa para o Brasil. Um relatório da ONU divulgado esta semana apontou o País como o maior produtor de lixo eletrônico entre as nações emergentes: mais de 350 mil toneladas por ano entre 2005 e 2006. Uma pesquisa da Nokia, feita em 2008, indicou que apenas 2% dos celulares descartados são reciclados.

 

O maior entrave para esse tipo de lixo é que ele pode conter metais pesados, como chumbo e mercúrio, que, se descartados no lixo comum causam danos à saúde e ao meio ambiente. Outro problema é que a logística para reciclá-lo é cara, já que quase tudo precisa ser enviado para os fabricantes no exterior. As operadoras de telefonia celular Claro e a TIM, por exemplo, coletam celulares, baterias e carregadores antigos em suas lojas. Em seguida, uma empresa de logística recolhe o material, faz a separação e envia para a Europa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.