ONU vê esperança para acordo climático obrigatório

Mas, para Todd Stern, isso só vai acontecer se grandes emissões apresentarem planos ainda em janeiro

John Heilprin , Associated Press

15 Janeiro 2010 | 12h29

O acordo não-vinculante de Copenhague está em um momento crítico que irá decidir se ele se tornará um tratado obrigatório de redução dos gases do efeito estufa, segundo declarações o principal negociador do clima nos Estados Unidos, Todd Stern, na quinta-feira. 

 

Isso só vai acontecer, disse Stern em uma reunião de líderes de Wall Street e investidores, se os "principais jogadores" apresentarem às Nações Unidas, até o final de janeiro, os seus planos prometidos para reduzir as emissões de carbono até 2020. 

 

"Temos um acordo que está descarrilhando, e precisamos que ele obtenha velocidade suficiente para que ele possa decolar", disse Stern. "A melhor forma de fazer progresso em direção a um acordo legal é conseguir implementar o acordo de Copenhague."

 

O enviado especial do Departamento de Estado dos Estados Unidos para as mudanças climáticas lançou esperança sobre o resultado incerto da conferência climática da ONU na capital dinamarquesa em dezembro, em suas primeiras declarações públicas desde o retorno de Copenhague. 

 

O acordo de Copenhague ficou aquém nos passos necessários para evitar o aquecimento do planeta, mas pediu cortes mais profundos nas emissões de dióxido de carbono e outros gases responsáveis pelas mudanças climáticas. O acordo também criou o primeiro programa significativo de ajuda climática às nações mais pobres e adotou uma meta de controlar o aumento da temperatura global ao limite de 2ºC. Um fundo de US$ 30 bilhões durante os próximos três anos, podendo chegar até US$ 100 bilhões por ano até 2020, foi um elemento-chave. 

 

Mas um rascunho de documento da ONU mostrou que a redução de emissões prometida durante a conferência climática da ONU poderia colocar o mundo em "um caminho insustentável" para o aquecimento global médio 50% mais elevado do que os países industrializados querem. O documento previa que a temperatura média global vai subir 3ºC nas próximas décadas, em relação aos níveis pré-industriais. Hoje o mundo já está um pocuo mais quente, de modo que significaria um adicional de 2,3ºC no aquecimento a partir de agora. 

 

O acordo de última hora surgiu principalmente da reunião do presidente Barack Obama com o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao e os líderes do Brasil, da Índia e da África do Sul. Posteriormente, foi submetida aos 193 países da convenção, mas o acordo foi meramente apenas "reconhecido" no final pela maioria das nações do mundo. 

 

"Nós precisamos agora que os países deem um passo à frente e digam 'eu quero ser parte disso'", disse Stern à multidão de homens de negócios, que, juntos, controlam cerca de US$ 13 trilhões em ativos. "A melhor forma de fazer progresso em direção a um acordo final legalmente vinculante é fazer com que este Acordo de Copenhague seja implementado."

 

O foco da reunião da ONU na quinta-feira foi sobre o uso de recursos provenientes de investidores financeiros para incentivar o uso de fontes limpas de energia e combustíveis. 

 

Stern disse que ninguém deve subestimar a importância do que ele chamou de "uma brecha no muro entre países desenvolvidos e em desenvolvimento". "O que aconteceu aqui foi que, pela primeira vez, os principais países em desenvolvimento concordaram com a lista de ações específicas que vão tomar para atenuar, para reduzir suas emissões."

 

Robert Orr, um assistente do secretário-geral da ONU para a política, disse que muitos investidores, perguntaram-lhe, em um jantar na noite de quarta-feira, sobre o resultado confuso da desgastante maratona final de negociação na conferência de Copenhague. 

 

"Enquanto se discutia Copenhague, eu ouvi as palavras 'desorientado'  e 'confuso', e que poderia muito bem ter sido um dicionário de sinônimos de palavras que significariam aproximadamente a mesma coisa", disse Orr. Mas isso é compreensível, segundo ele, porque as negociações de Copenhague foram "a maior, mais complexa e indiscutivelmente a mais consequente negociação já realizada na história humana". Orr também disse que, desde a conferência, "um processo teve início para que todas as nações possam se juntar ao acordo".

 

"Eu acho que é seguro esperar que um número muito grande de países farão isso", acrescentou. "Isso nos dará uma base muito forte para prosseguir com o tratado e negociações juridicamente vinculativas em 2010."

 

A ONU tem o objetivo de transformar o acordo de Copenhague em um tratado vinculativo na conferência sobre o clima que acontecerá na Cidade do México, entre 29 de novembro e 10 de dezembro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.