Christophe Ena/AP
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ONU defende fim da exportação de atum especial para sushi

As populações do atum de barbatana azul no Atlântico caíram mais de 80% desde o século 19

Associated Press,

05 Fevereiro 2010 | 14h51

Os países do mundo deveriam proibir a exportação do atum de barbatana azul do Atlântico, declarou um comitê das Nações Unidas, dando apoio a uma proposta que sofre forte oposição do Japão, que valoriza o peixe como um ingrediente de sushi.

 

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As populações de barbatana azul no Atlântico caíram mais de 80% desde o século 19 e, portanto, a proteção especial teria base científica, disse a Cites, grupo da ONU que supervisiona a Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas.

 

"Estamos recomendando que as partes aceitem a proposta", disse o chefe científico da Cites, David Morgan.

 

O principado de Mônaco está pedindo que os 175 membros da convenção concordem em proibir a exportação de barbatana azul do Atlântico durante uma reunião marcada para Doha, no Qatar, em março.

 

O plano é uma das 42 propostas de conservação que os membros vão analisar, juntamente com possíveis proibições do comércio de produtos derivados de ursos polares, alguns tipos de tubarão e outras espécies.

 

A reunião também decidirá se é o caso de restringir ou suavizar a proibição do comércio de marfim de elefante, outra questão controversa.

 

Mas a disputa em torno do atum - que põe uma maioria de países do norte da Europa contra o Japão e nações do Mediterrâneo - provavelmente atrairá a maior parte da atenção, porque ameaça tirar o tradicional peixe do cardápio do sushi.

Turquia, Espanha, Grécia e Malta têm milhares de empregos que dependem da captura e exportação do peixe. França e Reino unido comprometeram-se a apoiar a proibição.

 

O barbatana azul, que pode chegar 1 metro de comprimento e a pesar mais de 600 quilos, chega a custar US$ 20 (cerca de R$ 40) em restaurantes de luxo em Tóquio. O Japão compra 80% da pesca mundial, com o restante dividido entre EUA, Europa e Coreia do Sul. na Europa, o sushi de barbatana azul ainda é muito raro.

 

A Comissão Internacional para a Conservação do Atum do Atlântico, que agrega os países pesqueiros, já define cotas de pesca do barbatana azul. O limite atual caiu 40% em relação ao de 2009.

 

Ambientalistas dizem que as cotas são ignoradas e, mesmo se fossem cumpridas, seriam altas demais.

A proibição da pesca no Atlântico não afetaria a espécie no Pacífico que, embora também esteja ameaçada, não é alvo de proposta de limitação de pesca, disse Morgan. A proibição também não afetaria a pesca do atum comum que vai parar em latas e sanduíches.

 

O barbatana azul do Atlântico "é um produto particular de uma espécie muito procurada, vendida em quantidades muito pequenas se comparadas ao atum em geral", disse ele.

 

Ele acrescentou que o comitê não vai recomendar a proibição do comércio de produtos derivados de urso polar, requisitada pelos EUA mas combatida pelo Canadá.

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