ONU autoriza a China a comprar marfim de elefantes na África

Botswana, Namíbia, África do Sul e Zimbábue vão leiloar 108 toneladas de marfim dos estoques governamentais

AP

15 Julho 2008 | 20h05

Uma comissão das Nações Unidas deu permissão à China nesta terça-feira, 15, para importar marfim de elefante das reservas de governos africanos, apesar da oposição de alguns países e de grupos ambientalistas.   O comitê da Cites - Convenção do Comércio Internacional de Espécies em Perigo de Extinção - decidiu, por 9 votos a 3, com duas abstenções, que a China se qualificava para a exceção necessária para o leilão único, pois reforçou drasticamente suas regras quanto ao uso de marfim.   O comércio de marfim foi banido globalmente em 1989, mas a retomada das populações de elefantes permitiu que países africanos fizessem um leilão único para o Japão dez anos depois, o único país que tinha o direito para a importação.   No ano passado, a Cites autorizou Botswana, Namíbia, África do Sul e Zimbábue a fazerem uma segunda venda das 108 toneladas dos estoques governamentais.   O porta-voz do comitê, Juan Carlos Vasquez, disse que após a decisão desta terça-feira, a China e o Japão vão dividir suas cotas de marfim no leilão que será realizado ainda este ano.   Os estoques aprovados para a venda incluem cerca de 44 toneladas de Botswana, 9 da Namíbia, 51 da África do Sul e 4 do Zimbábue.   O secretário geral do Cites, Willem Wijnstekers, disse que o comitê vai supervisionar de perto a venda. "Nós vamos continuar monitorando o comércio doméstico no Japão e na China para assegurar que não haja comerciantes inescrupulosos que usem essa oportunidade para comercializar marfim de origem ilegal", disse.   Embora o governo chinês diga que "vai fazer o possível para não permitir que marfim ilegal passe por comércio legal", grupos ambientalistas discordam. Eles dizem que sua opinião é reforçada pela revelação, do governo chinês, de que não sabe o paradeiro de 121 toneladas de marfim dos últimos 12 anos, que provavelmente foram vendidos no mercado ilegal.   A maior parte do marfim comprado pela China é transformado em jóias e ornamentos comprados por turistas de outras partes da Ásia.   Após a venda, os países africanos não poderão exportar marfim por nove anos. Além disso, eles deverão usar o dinheiro obtido com o leilão para proteger as populações de elefantes.

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