Onda de frio não refuta alerta para aquecimento, diz cientista

Queda de temperatura recorde em países como EUA, China e Reino Unido seria um 'fenômeno natural'

AP,

07 Janeiro 2010 | 15h19

Na madrugada desta quinta-feira, a temperatura no sul da Inglaterra chegou a 17 graus negativos

 

 WASHINGTON - Pequim registrou nesta quinta-feira, 7, a manhã mais fria em quase 40 anos, e a maior nevasca desde 1951. O Reino Unido sofre com a mais longa onda de frio desde 1981. E o clima gelado atinge o sul dos Estados Unidos, incluindo as plantações de laranja e as praias da Flórida. Estes cenários não parecem se encaixar no contexto do alerta para o aquecimento global e as emissões de CO2, como o difundido durante a cúpula da ONU para as mudanças climáticas, em Copenhague.    

 

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Mas especialistas afirmam que esta onde de frio não pode refutar o alerta global para as mudanças climáticas. "Isso faz parte de uma variação natural. Nós continuaremos registrando recorde de temperaturas baixas, mas com menor frequência no decorrer dos próximos anos", afirma Gerald Meehl, cientista do Centro de Pesquisa Atmosférica de Boulder (Colorado), nos Estados Unidos.

 

Segundo o cientista Deke Arndt, do Centro de Informações sobre o Clima da Carolina do Norte, 2009 foi um dos anos mais quentes na Terra desde 1880.

 

Para estes especialistas, as mudanças climáticas provocadas pela ação do homem (como a emissão excessiva de CO2 na atmosfera) têm potencial para ficarem mais acentuadas nas próximas décadas e deverão impactar no aumento de onda de calor, tempestades, enchentes e seca.

 

Porém, os cientistas entrevistados pela Associated Press não conectam a atual onda de frio com as mudanças climáticas. "Nós basicamente estamos vendo uma 'explosão' do massa de ar ártica, que iniciou um movimento de ziguezague, com direção ao sul e norte", explica Arndt.

 

Esse fenômeno provocou quedas recorde de temperatura em países como Estados Unidos, China e Noruega, onde chegou a ser registrado 41 graus Celsius negativos.

 

"Esse movimento da massa de ar ártica naturalmente ocorre de tempos em tempos, mas não compreendemos ainda porque está tão intensa neste atual período", disse Michelle L'Heureux, meteorologista do Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos. Segundo a especialista, a severa onde de frio deverá começar a se enfraquecer a partir da próxima semana.

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