Obama quer reduzir em 30% emissões de gases nos EUA até 2030

Presidente americano anunciou nesta segunda-feira, 2, uma das mais agressivas políticas de combate à mudança climática já adotadas no país

Cláudia Trevisan, Correspondente de O Estado de S. Paulo

02 Junho 2014 | 12h08

Atualizada às 21h16

WASHINGTON - O governo Barack Obama anunciou nesta segunda-feira, 2, uma das mais agressivas políticas de combate ao aquecimento global já adotadas nos Estados Unidos, com objetivo de reduzir em 30% as emissões das geradoras de energia até 2030, em relação aos patamares de 2005. As regras limitam o que as empresas podem emitir para cada megawatt/hora que produzirem e atingem principalmente as usinas de carvão, as mais poluentes. 

O setor de geração de energia responde por 38% das emissões de gases americanas e é, individualmente, o que mais polui. O corte esperado até 2030 representa 730 milhões de toneladas de dióxido de carbono, equivalente a 13% do total das emissões dos EUA em 2013. Segundo a Agência de Proteção Ambiental (EPA, em inglês), essa é a poluição gerada a cada ano por dois terços da frota de carros e caminhões do país. 

O anúncio foi comemorado pelas entidades de defesa do meio ambiente. Segundo Francis Beinecke, presidente do National Resources Defense Council, essa é a primeira vez que os Estados Unidos impõem limites às emissões de dióxido de carbono das usinas de energia.

Com a medida, Obama tenta resgatar a liderança americana no debate global sobre mudança climática, colocada em xeque depois que seu projeto para cortar emissões naufragou no Congresso, em 2010. “Não podemos pedir que outros assumam compromissos no combate à mudança climática se muitos de nossos líderes políticos negam que ela esteja ocorrendo”, afirmou Obama na quarta-feira. Muitos dirigentes do opositor Partido Republicano sustentam que o aquecimento global é um fenômeno natural.

Obama decidiu ignorar os parlamentares e usar seus poderes executivos para implementar as medidas, elaboradas com base no Clean Air Act (Ato do Ar Limpo), de 1970. A EPA terá um ano para detalhar as metas. 

A diretora da EPA, Gina McCarthy, disse que os Estados terão flexibilidade para implementar as mudanças e poderão optar entre diferentes caminhos para reduzir as emissões, entre os quais investimento em energias renováveis, aumento da eficiência energética e substituição do carvão pelo gás natural, menos poluente.

Apesar de terem perdido o posto de maior poluidor para a China, os EUA ainda têm um índice de emissões de gases estufa per capita três vezes maior do que os chineses.

Apoio. Pesquisa divulgada nesta segunda pelo Washington Post/ABC News indica que 70% dos americanos apoiam limites para emissões das geradoras de energia, mesmo que isso signifique uma conta de luz mais cara. A política é vista de maneira favorável mesmo entre os republicanos (57% apoiam).

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