Chuck Burton/AP
Chuck Burton/AP

Obama anuncia meta de reduzir 32% das emissões das usinas de carvão até 2030

Porcentual divulgado pelo presidente norte-americano é um pouco mais ambicioso do que a proposta anterior, de 30%

Giovana Girardi, O Estado de S. Paulo

03 Agosto 2015 | 15h52

Atualizada às 21h34

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta segunda-feira, 3, um plano sem precedentes de ação contra as mudanças climáticas. Pela primeira vez, o país tem uma meta de redução das emissões de gases de efeito estufa provenientes do setor elétrico, alicerçado nas usinas térmicas a carvão.

A versão final do Plano de Energia Limpa prevê redução de 32% das emissões das usinas até 2030, na comparação com o que era emitido em 2005. Elaborado pela Agência de Proteção Ambiental (EPA), é um pouco mais ambicioso do que a versão original, de 2014, de 30%.

A quatro meses da Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), em Paris - que deve estabelecer um novo acordo de redução das emissões válido para todos os países -, Obama afirmou em seu discurso a intenção de liderar o planeta no combate às mudanças climáticas. Esse é um sinal de que o país deve ter uma posição mais proativa em Paris, ao contrário do que houve em cúpulas passadas.

A geração de energia elétrica é responsável por cerca de um terço das emissões de gás carbônico dos Estados Unidos. O plano de reduzir as emissões do setor é o principal componente da meta de reduzir as emissões totais em 26% a 28% até 2025. 

Esse valor compõe a contribuição que os Estados Unidos oferecerão para a COP-21, em Paris. Todos os países têm de apresentar, até 1.º de outubro, suas intenções de contribuições nacionais.

Em seu discurso na Casa Branca, Obama, que adotou as mudanças climáticas como um de seus alvos no segundo mandato, posicionou o problema como “a maior ameaça” que o mundo enfrenta hoje e convidou a população americana a enfrentar com ele essa luta. “Nós somos a primeira geração a sentir os efeitos das mudanças climáticas e a última capaz de fazer alguma coisa a respeito.”

Obama se antecipou às críticas que vai receber. “Vão dizer que não poderá ser feito, que vai custar dinheiro, que vai acabar com empregos. Mas só a indústria de energia solar criou empregos dez vezes mais rápido que qualquer outro setor.” 

Resistência. Antes mesmo de Obama começar a falar, o senador republicano Mitch McConnell, líder da maioria na Casa, disse que faria tudo que estivesse ao seu alcance para bloquear a proposta. Já Obama buscou sensibilizar a população ao dizer que a inação pode afetar todo mundo - ao passo que o plano pode ter impacto positivo.

Segundo ele, a estimativa é que, com as ações que os Estados terão de fazer para levar à redução das emissões, o americano terá, em média, uma redução de cerca de US$ 85 por ano em suas contas de energia em 2030. Ele afirmou também que a economia de energia será o suficiente para abastecer 30 milhões de casas naquele ano e vai prevenir 3,6 mil mortes prematuras. Obama disse esperar a criação de “dezenas de milhares” de postos de trabalho.

Ao final, o presidente americano instigou os outros países a agirem também. “Se nós não fizermos, ninguém vai fazer. A única razão pela qual a China está agora olhando seriamente para suas emissões, é porque eles viram que nós íamos fazer isso também.”

Movimento político. O anúncio de Obama foi visto por ambientalistas como ainda mais importante do ponto de vista político. “Ele mostra a agenda de mudanças climáticas e prepara o país para enfrentar esse desafio e a economia para o que pode surgir de oportunidades”, disse Carlos Rittl, secretário executivo do Observatório do Clima. “E ele fez isso criando conexões com a qualidade de vida, com a saúde, que são importantes motivadores.” 

Rittl disse acreditar que o plano vai impulsionar outra meta, apresentada por Obama durante a visita da presidente Dilma Rousseff, de aumentar em 30% a presença de renováveis.

Pesquisa feita em março pelo Programa de Yale sobre Comunicação em Mudanças Climáticas observou que 70% dos americanos são favoráveis à redução das emissões nas termoelétricas a carvão.

Brasil. O Brasil deve apresentar “em breve” sua contribuição para o acordo de Paris. A estimativa não muito precisa foi feita pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, na semana passada. Em evento na Fiesp em São Paulo, ela disse que a meta está sendo consolidada após ela ter feito “interlocuções com vários setores” da sociedade. 

O prazo final estabelecido pela Convenção do Clima da ONU para o recebimento das chamadas INDCs (Contribuição Nacionalmente Determinada Pretendida, na sigla em inglês) é 1.º de outubro.

Mas é possível que o anúncio seja feito antes disso, provavelmente logo depois da visita da premiê Angela Merkel ao Brasil, que ocorre em 19 e 20 deste mês. A própria Izabella admitiu essa possibilidade. “Em breve, provavelmente depois da Merkel”, disse ao Estado.

Por enquanto, as únicas pistas do que deve ter na meta brasileira foram as intenções apresentadas por Dilma em visita a Obama. Ela afirmou que o País se compromete a zerar o desmatamento ilegal e a recuperar 12 milhões de hectares de cobertura vegetal prometidas. Ambas as promessas foram feitas para 2030. Historicamente, o desmatamento foi o principal emissor de gases de efeito estufa no Brasil. Com a queda da perda da Amazônia nos últimos anos, os setores de energia e agricultura têm assumido a liderança.

Confira as metas de outros países: 

China: Atingir o pico de emissões de CO2 até 2030 e aumentar para 20% a parcela de energia renovável na oferta total de energia e o estoque de florestas. A proposta é considerada mediana;

União Europeia: Reduzir em pelo menos 40% as emissões de gases de efeito estufa até 2030, na comparação com os níveis de 1990. A proposta é considerada mediana;

Canadá: Diminuir as emissões em 30% até 2030, sobre os níveis de 2005. A proposta é considerada inadequada por ambientalistas;

Japão: Reduzir as emissões em 26% até 2030, na comparação com 2013. Vista como inadequada.

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