TV Estadão
TV Estadão

'O setor conservador quer manter o poder onde está, sem dividi-lo'

A especialista em sociologia política Marília Lamas fala sobre igualdade de gênero na infância

Juliana Tiraboschi, Especial para o Estado

14 Novembro 2017 | 16h34

A jornalista Marília Lamas, especialista em sociologia política e cultura, nunca se identificou com coisas “de menina”, como roupas cor-de-rosa e brinquedos considerados exclusivamente femininos. Na vida adulta, ela decidiu estudar como se constrói a pressão para uma criança seguir determinadas expectativas da sociedade desde a infância.

Autora do livro De Menino e de Menina (Clube do Livro/GWS), a jornalista discute como o que acontece na vida privada da família reflete na política e como diferenças de tratamento entre meninos e meninas vai influenciar no comportamento dessas crianças na idade adulta. A igualdade de gênero é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU para 2030. 

“Quando a criança nasce, ela não tem a menor ideia de por que o menino não pode brincar de boneca. Isso só faz diferença para o adulto”, diz. Para Marília, a resistência da sociedade em enfrentar mudanças em conceitos relacionados a igualdade de gênero tem duas origens. Uma é a desestabilização causada por mexer com conceitos culturais que estão muito enraizados. “Por outro lado, há o crescimento de um movimento conservador e de setores de extrema-direita, que querem manter o poder onde está”, afirma. “A família patriarcal é um dos pilares desse conservadorismo, e esses setores querem manter o status quo.”

Confira a entrevista completa de Marília à TV Estadão:

A especialista em sociologia política e cultura também discute a confusão em torno do conceito de “ideologia de gênero”. “Não existe uma proposta de troca de papéis ou inversão de valores, ninguém está dizendo que os meninos agora só vão brincar de boneca ou andar vestidos de princesa”, diz. Para Marília, a discussão se trata de que tudo esteja acessível para todos, de uma busca por liberdade e igualdade. “Até para que as famílias sejam mais unidas, para não sobrecarregar as mulheres com as tarefas domésticas”, diz. 

Mais conteúdo sobre:
Feminismo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.