Novo sistema de radar poderá prever tempestades oceânicas

Segundo estudos preliminares, a altura das ondas e o poder das tempestades de vento estão em ascensão nos últimos 30 anos

AP

13 Janeiro 2010 | 15h25

Um novo sistema de radar na costa de Washington facilitará o trabalho dos meteorologistas, que poderão prever tempestades vindas do Oceano Pacífico. Alguns cientistas dizem que a intensidade das tempestades de inverno e da arrebentação das ondas na costa nordeste está aumentando.

 

Até agora, o litoral do estado de Washington foi a única área costeira nos EUA sem cobertura de radar.

 

As tempestades na região igualam-se aos terremotos que ocorrem no resto do País. Uma tempestade no Dia do Descobrimento das Américas, em 1962, considerada a tempestade não tropical mais intensa dos EUA durante um século, teve ventos com média de 150 milhas por hora, chegando a 180.

 

 “Se fosse hoje, essa tempestade causaria um dano da ordem daquele causado pelo Katrina”, disse Cliff Mass, professor de ciências atmosféricas na Universidade de Washington. “Nós temos visto algumas das mais intensas tempestades do mundo e não temos radar”.

 

Espera-se que o Serviço Nacional de Meteorologia anuncie o local de instalação do novo sistema de radar nos próximos meses – provavelmente o condado de Grays Harbor, na costa central de Washington. Segundo Brad Colman, meteorologista encarregado da unidade de Seattle, o sistema deverá entrar em operação em 2012.

 

 “Estamos trabalhando o mais rápido que podemos”, disse Colman. Enquanto o Serviço Nacional de Meteorologia prossegue com o desenho e a construção do novo radar, cientistas do departamento de geociências da Universidade Estadual de Oregon, usando dados provenientes de bóias colocados no meio do oceano, concluíram que a altura das ondas e o poder das tempestades de vento estão em ascensão nos últimos 30 anos.

 

 Estudos utilizando dados de um navio ancorado na costa sudoeste da Grã-Bretanha e de bóias na costa atlântica dos EUA chegaram a conclusões similares. “Estando esses fenômenos provavelmente conectados às mudanças climáticas que vêm ocorrendo na Terra, restam dúvidas se seriam o produto do aquecimento global pela liberação de gases de efeito estufa ou se representam variações dos ciclos climáticos naturais que ocorrem na Terra a intervalos de algumas décadas”, afirma um relatório que aguarda publicação no periódico chamado Coastal Engineering.

 

O estudo descobriu que as ondas de tamanho médio que quebram na costa noroeste estão, aproximadamente, 0,90 metros maiores do que eram há 30 anos. As ondas muito grandes estão quase 8 metros mais altas. Durante intensas tempestades, as ondas que quebram em alto mar podem ter mais de 45 metros de altura.

 

“A coisa está ficando muito feia”, disse Peter Ruggiero, professor assistente da Universidade de Oregon e um dos autores do estudo.

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