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Novo acordo climático pós-2020 depende de decisões da COP de Doha

Giovana Girardi, Enviada especial

26 Novembro 2012 | 16h 41

DOHA - Deixar o passado bem resolvido para poder começar a trilhar o futuro, mas sem esperar por ele para começar a ser ambicioso. Essa foi a mensagem passada nesta segunda-feira, 26, durante a abertura da 18.ª Conferência do Clima da ONU, que é realizada até o dia 7 de dezembro em Doha (Catar).

Com o objetivo de iniciar o processo que deve levar, em 2015, ao estabelecimento de um novo tratado mundial de redução das emissões de gases de efeito estufa, a partir de 2020, esta COP precisa antes resolver algumas pendências. Em primeiro lugar, como os países desenvolvidos vão se portar até lá, durante o segundo período de compromisso do protocolo de Kyoto. Em segundo lugar, definir como alguns pontos-chave, como o financiamento para países em desenvolvimento, será realizado. No ano passado, em Durban, concordou-se em um investimento no Fundo Verde Climático que chegará a US$ 100 bilhões em 2020. Os países ricos precisam mostrar um plano de como vão cumprir isso.

A secretária-executiva da Convenção do Clima da ONU, Christiana Figueres, durante a abertura das reuniões e na primeira coletiva de imprensa, lembrou mais uma vez que o tempo está acabando. "No último mês foram divulgados vários relatórios, como do Banco Mundial, do Pnuma (agência ambiental da ONU), todos nos alertando que está aumentando a dificuldade de manter o aumento da temperatura acordado pelos países - em 2°C até o final do século -, e o custo disso também está crescendo", diz. "Nos últimos anos, as políticas climáticas estão se movendo mais rápido do que no passado, no entanto, a outra realidade é que a porta também está se fechando mais rápido, porque a escala das ações simplesmente ainda não está onde deveria."

Para Figueres, a mensagem desses relatórios é que é necessário aumentar a ambição das metas de redução das emissões. "Não em 2015 ou em 2020, mas agora. Em todo o caminho até 2020 por causa da urgência de ação."

O embaixador André Corrêa do Lago, chefe da negociação brasileira, também afirmou que a importância de Doha está em fechar um capítulo para iniciar outro, num processo em que os dois estão interligados. "É a base dos trabalhos dos próximos 8 anos."

A decisão de estender o Protocolo de Kyoto se deu principalmente por conta da articulação dos diplomatas brasileiros no ano passado, que vêem a manutenção do tratado como importante por ter regras uniformes e para servir de referência para o novo acordo global. "Pelo menos os países que aceitaram o segundo período de Kyoto estão comprometidos em reduzir suas emissões. Temos de dar mais atenção agora para os países que não estão juntando ao compromisso (Japão, Rússia e Canadá ficaram de fora, Estados Unidos nunca entraram), para ver o que eles vão fazer."

Para Lago, está na hora de países desenvolvidos tomarem a liderança. "Se eles, que têm os recursos, as tecnologias, não estão sendo ambiciosos, como esperar que os países em desenvolvimento o sejam?", diz. "O que vemos é que nenhum país desenvolvido fez mais do que os países em desenvolvimento estão fazendo."

Em coletiva de imprensa um pouco mais cedo, o negociador americano Jonathan Pershing disse que na verdade seu país tem feito um "esforço enorme" para reduzir suas emissões e que as respostas não têm de vir só dos EUA, já que o país responde por menos de 20% das emissões globais.

A repórter viaja a convite da Convenção do Clima (UNFCCC).