Nova tecnologia pode revolucionar agropecuária brasileira

Reportagem finalista do 2.º Prêmio Tetra Pak de Jornalismo Ambiental

O Estado de S. Paulo

22 Agosto 2014 | 17h21

Paulo Eduardo Palma Beraldo, 21 anos (Unesp)*

Na zona rural do município de Brotas, a 250 quilômetros de São Paulo, uma fazenda chama a atenção por produzir carne, frutas e grãos em uma mesma área de terra. O que no passado era uma propriedade dependente apenas da citricultura, passou a ser um modelo de diversificação e respeito ao meio ambiente - e sem abrir mão dos resultados financeiros.

A produtora Maria Fernanda Guerreiro implantou, em 2011, o sistema de integração lavoura-pecuária, conhecido pela sigla ILP. O objetivo era claro: diversificar as fontes de renda de seu negócio rural. "Eu queria o ganho da madeira, da lavoura e do gado", conta.

Desde então, os cem hectares de sua propriedade já produziram carne, cana-de-açúcar, milho e pastagens, além de manter uma reserva florestal para produção de madeira - e de renda - no futuro. "É difícil na agropecuária viver só de uma cultura. Em um momento o preço do milho, por exemplo, está baixo, mas aí temos a madeira e o gado para compensar", explica.

A propriedade de Maria Fernanda faz parte dos dois milhões de hectares onde já se pratica o ILP no Brasil, segundo estimativas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Com esse sistema, a Embrapa estima ser possível duplicar a produção de grãos e triplicar a pecuária em 20 anos.

Para o agrônomo Aníbal de Moraes, coordenador nacional do Programa de Produção Integrada em Sistemas Agropecuários (PISA), o produtor que utilizar o sistema ILP irá tornar sua propriedade mais eficiente. "A diversidade biológica dos sistemas integrados possibilita explorar melhor as funções dos ecossistemas, pois torna a ciclagem de nutrientes mais eficiente e aumenta o acúmulo de carbono, reduzindo o impacto ambiental", relata.

Segundo Moraes, desta forma a sustentabilidade agropecuária é alcançada seguindo as diretrizes de uma política de baixa emissão de gases do efeito estufa, associada à conservação do solo e da água e ao acúmulo de renda da propriedade.

O engenheiro agrônomo Alberto Bernardi, especialista no sistema ILP e pesquisador da Embrapa, afirma que os produtores se interessam bastante pela técnica, mas ressalta que ainda é preciso intensificar a divulgação e a transferência da tecnologia.

Para o engenheiro agrônomo Ronaldo Trecenti, diretor da Campo Consultoria e Agronegócios, o sistema ILP é uma estratégia para melhorar as condições ambientais, gerar mais empregos e aumentar a renda. "O sistema ILP permite ampliar a produtividade nas áreas já cultivadas e recuperar áreas degradadas, diminuindo a pressão para a abertura de novas fronteiras agrícolas, além de reduzir os riscos climáticos e de mercado", diz.

Segundo Trecenti, há estudos que mostram que as receitas das lavouras e da pecuária pagam os custos da implantação do sistema, tornando vantajoso o investimento inicial requerido para a adequação.

*finalista do 2.º Prêmio Tetra Pak de Jornalismo Ambiental

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