Níveis de CO2 atingem novos picos de alta

As concentrações de dióxido de carbono deverão aumentar ainda mais em 2009

ALISTER DOYLE, REUTERS

12 Fevereiro 2009 | 14h56

Os níveis atmosféricos do principal gás do efeito estufa têm atingido novos picos de alta, sem sinal de que a redução da atividade econômica mundial esteja reduzindo as emissões industriais, informou um importante cientista na quinta-feira. "O aumento condiz com a tendência de longo prazo", disse Kim Holmen, diretor de pesquisas do Instituto Polar Norueguês, comentando as medições feitas por um projeto da Universidade Estocolmo sobre o arquipélago ártico de Svalbard, ao norte da Noruega. Os níveis de dióxido de carbono, o principal gás-estufa proveniente das atividades humanas, subiu para 392 partes por milhão (ppm) na atmosfera de Svalbard em dezembro, num aumento de 2 a 3 ppm do mesmo período no ano anterior, disse ele à Reuters. As concentrações de dióxido de carbono deverão aumentar ainda mais em 2009, afirmou ele. Elas atingem o seu pico pouco antes do início da primavera no Hemisfério Norte, onde está concentrada a maior parte das indústrias, cidades e vegetações do mundo. As plantas absorvem o dióxido de carbono (liberado pela queima de combustíveis fósseis) da atmosfera à medida que crescem. Os níveis registram queda durante o verão do Hemisfério Norte e sobem de novo no outono, quando as árvores perdem suas folhas e outras plantas secam. "É muito cedo para fazer essa afirmação", disse ele quando questionado se havia sinais de que a redução na atividade econômica estaria reduzindo o aumento nas emissões. E afirmou que seria difícil detectar uma mudança desse tipo. "Seria muito complicado", afirmou ele. "Se tivéssemos, por exemplo, um ano com um inverno siberiano atipicamente quente, isso poderia anular a alteração humana." Um inverno quente na Rússia permitiria que mais bactérias decompusessem material orgânico no solo, lançando dióxido de carbono. EM 800 MIL ANOS Os níveis de dióxido de carbono estão entre os mais altos em 800 mil anos, e cerca de um terço mais elevados desde a Revolução Industrial. O aumento é causado "principalmente pela queima de combustível fóssil e de alguma forma pela mudança no uso da terra, onde as florestas são substituídas por plantações", disse Holmen. O Painel Climático da Organização das Nações Unidas (ONU) diz que o aumento nas concentrações de gás-estufa está alimentando o aquecimento que deve causar inundações, secas, ondas de calor, aumento no nível dos oceanos e extinções.

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