Não há sinais de cortes maiores para Acordo de Copenhague

Até prazo final, países devem manter suas metas originais de redução das emissões de gases de efeito estufa

Alister Doyle e Pete Harrison, da Reuters

22 Janeiro 2010 | 13h54

O mundo está mostrando apenas um entusiasmo morno por um "Acordo de Copenhague" de combate às mudanças climáticas, sem nenhum sinal até agora de que os países adotem metas de redução das emissões de gases de efeito estufa para 2020 mais profundas do que o previsto antes do prazo final de 31 de janeiro. 

 

Em Bruxelas, um rascunho de documento da União Europeia divulgado nesta sexta-feira mostrava que os planos para o bloco de 27 países são de reiterar a oferta mínima de um corte de 20% nas emissões até 2020, com base nos níveis de 1990, um agrado à indústria. Uma redução de 30% apenas será possível caso outras nações adotarem medidas comparáveis. 

 

Outros países estão propensos a fazer o mesmo que a Europa, depois que a cúpula no mês passado em Copenhague terminou com um acordo climático de baixa ambição. Nenhuma nação anunciou, desde então, planos de ação mais radicalmente rígidos para a ação. 

 

"Eu acho que os países vão manter suas faixas de redução", disse Nick Mabey, chefe da organização E3G em Londres. Ele afirmou que é muito cedo para uma revisão das metas nacionais. 

 

"É quase como o início de uma nova negociação", afirmou Gordon Shepherd, diretor de política internacional do grupo ambientalista WWF. Ele disse que muitos países ainda estão divididos entre mostrar "uma explosão de entusiasmo" para reconstruir a dinâmica depois de Copenhague e a "cautela completa", tendo tempo para analisar os próximos passos. 

 

Poucos países até agora enviaram cartas ao Secretariado para Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU) antes do prazo final de 31 de janeiro para traçar metas para 2020, como ficou definido pelo Acordo de Copenhague, que foi fechado pelos grandes emissores, liderados pela China e pelos Estados Unidos. 

 

Limitar o aquecimento 

O acordo estabelece que as metas devem limitar o aquecimento global ao aumento de 2ºC da temperatura global, acima dos níveis pré-industriais, mas omite detalhes de como isso será feito. Ele também apóia a meta de US$ 100 bilhões em ajuda anual para nações em desenvolvimento a partir de 2020. 

 

O documento também define que os países desenvolvidos devem apresentar até 31 de janeiro as suas metas de cortes nas emissões até 2020 e as nações em desenvolvimento devem delinear ações para retardar o aumento das suas emissões para a ajudar a evitar mais ondas de calor, tempestades, inundações e a elevação do nível dos oceanos. 

 

A ONG Climate Action Network dos Estados Unidos disse que Brasil, Coréia do Sul, África do Sul, Gana, Austrália, França, Canadá, Papua Nova Guiné e as Maldivas indicaram que estão comprometidos com o acordo. Cuba disse que não irá participar. O Secretariado da ONU não quis comentar sobre a lista. 

 

A cúpula do clima não conseguiu aprovar o Acordo de Copenhague, após a oposição de Cuba, Venezuela, Bolívia, Nicarágua e Sudão. Isso significava que a conferência apenas "tomou nota" do plano. 

 

A ONU alerta que o prazo de 31 de janeiro é susceptível de atraso e que os países podem se inscrever mais tarde. Mas especialistas dizem que o acordo ficaria em apuros se seus principais apoiadores - como Washington e Pequim - falharem formalmente em se inscrever. 

 

A oferta provisória do presidente americano Barack Obama - de cortar 17% das emissões abaixo dos níveis de 2005 até 2020 (ou 4% abaixo do ano de referência da ONU, de 1990) - pode ser difícil de alcançar, agora que os democratas perderam uma cadeira importante no Senado esta semana. 

 

China, Índia, África do Sul e Brasil se reunirão em Nova Délhi, no domingo. 

 

Entre os mais ambiciosos, Noruega disse, antes de Copenhague, que irá cortar emissões em 30% até 2020, podendo aumentar esta taxa para 40%. "A Noruega vai apresentar os números dentro do prazo, mas ainda não decidiu o nível de ambição", disse o porta-voz do Ministério do Meio Ambiente, Tone Hertzberg. 

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