Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Na COP-20, ministra defende compromissos mais ambiciosos para países desenvolvidos

Izabella Teixeira reafirmou princípios brasileiros para a negociação de acordo sobre o clima na conferência em Lima, no Peru

DENISE CHRISPIM MARIN, Enviada especial

10 Dezembro 2014 | 20h11

LIMA - Ao discursar como representante do Brasil na 20ª Conferência das Partes sobre Mudança Climática (COP-20), em Lima, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, se contrapôs às demandas dos Estados Unidos e da União Europeia em favor de obrigações mais flexíveis no futuro acordo para conter o aquecimento global acordo. Izabella acentuou ser "absolutamente essencial" manter a diferenciação entre esses países, dos quais se espera compromissos mais ambiciosos, e as nações em desenvolvimento. O contrário, insistiu ela, seria "injusto".

A ministra chegou com um dia de atraso para a etapa ministerial da COP-20. Ao ingressar no Pentagonito, quartel-general do Exército peruano onde as tendas para os encontros da COP-20 estão montadas, Izabella presidiu um evento sobre a queda do desmatamento da Amazônia. Ainda se mostrava, naquele momento, desinformada sobre o andamento das conversas em Lima. Em especial, sobre o descarte da proposta brasileira para destravar a declaração de Lima. Antes de iniciar seu discurso no plenário, porém, reuniu-se com a equipe de negociadores do Itamaraty. 

Seu discurso reafirmou os princípios brasileiros para a negociação do acordo que, em tese, poderá evitar o aumento de temperatura do planeta superior a 2ºC até o final do século. Segundo a ministra, o acordo, a ser fechado em Paris em novembro de 2015, deve abarcar também compromissos de adaptação às mudanças climáticas e os meios de financiamento e de cooperação dos mais desenvolvidos para que os países mais pobres também possam contribuir, além da redução de emissões de gases do efeito estufa. Os esforços dos países em desenvolvimento nesse sentido, defendeu, devem ser "totalmente reconhecidos e premiados".

"A proposta brasileira voltou ao rascunho (do acordo de 2015) nos termos que o Brasil tinha proposto", afirmou. Ao longo desta semana, o conceito defendido pela delegação brasileira havia sido removido do rascunho. 

Nas negociações em Lima, EUA e União Europeia se opõem a essa ideia e pretendem aliviar suas contribuições. Tratam-se de dois tópicos com potencial para impedir o consenso na COP-20 sobre as bases sobre as quais deverão ser apresentados os compromissos de cada país ao longo de 2015. O Brasil, conforme Izabella acentuou antes à imprensa, apresentará em junho, no prazo previsto para as economias em desenvolvimento. 

No discurso, Izabella argumentou que as ações para reduzir emissões e permitir a adaptação às mudanças climáticas não devam ser consideradas negativamente, mas como "fonte de riqueza". "Elas trazem investimentos e envolvem novas iniciativas de desenvolvimento sustentável", argumentou.

Amazônia. A ministra acentuou que o Brasil "tem feito sua parte e está pronto para contribuir ainda mais". Izabella expôs em Lima os dados sobre a redução do desmatamento na Amazônia em 82% nos últimos dez anos. Com isso, sublinhou, o País deixou de emitir 650 milhões de toneladas de CO2. No ano passado, a queda foi de 18%. Segundo a ministra, 23% das áreas historicamente desmatadas na Amazônia brasileira estão sendo recuperadas.

Izabella não chegou a mencionar a Declaração de Nova York, de setembro passado, que fixou a meta voluntária de zerar o desmatamento até 2030. O Brasil não assinou o documento. Mas ela deu a entender que as metas brasileiras são mais ambiciosas nesse sentido. "O Brasil assumiu metas legais ambiciosas, como a redução de 80% do desmatamento ilegal na Amazônia até 2020", afirmou. "O governo brasileiro se comprometeu em alcançar 60 milhões de hectares de áreas protegidas na região amazônica até 2020. Nós esperamos atingir essa meta no próximo ano." 

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