Mudanças climáticas são alarmantes, dizem cientistas e políticos

Pesquisadores, cientistas e governos repercutiram a divulgação de relatório sobre aquecimento global no IPCC 2013

Bárbara Ferreira Santos,

27 Setembro 2013 | 11h20

Após a divulgação da versão final do Sumário para Formadores de Políticas pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), no início da manhã desta sexta-feira, cientistas, políticos e governos afirmaram que os governos terão de tomar medidas para frear o aumento da temperatura da Terra.

 

“Nosso trabalho é apresentar conclusões científicas. No relatório reafirmamos a urgência de reduzir as emissões. Espero que essa seja a mensagem que o mundo receba”, afirmou o presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, em relação aos negacionistas da mudança climática.

 

O relatório divulgado nesta sexta revela que o aquecimento climático é “inequívoco”. O texto final diz que as evidências aumentaram graças a mais e melhores observações científicas, ao entendimento claro do sistema climático e à evolução dos modelos de análise do aumento das temperaturas. "Nossa avaliação científica aponta que a atmosfera e os oceanos têm esquentado, a quantidade de neve e gelo tem diminuído, o nível mundial do mar se elevou e as concentrações de gases de efeito estufa têm aumentado, disse Qin Dahe, copresidente do grupo de trabalho do IPCC.

"Este é mais um alerta", afirmou o secretário de Estado norte-americano, John Kerry. "Aqueles que negam a ciência ou optam por desculpas no lugar da ação estão brincando com fogo." 

A  União Europeia destacou a necessidade de se proteger o clima.  "A questão não é se você acredita nas mudanças climáticas ou não. A questão é se você vai ignorar a ciência ou não", disse, em um comunicado, a comissária europeia da Ação Climática, Connie Hedegaard.

 De acordo ela, esperar a unanimidade de todos os cientistas sobre as causas das mudanças climáticas será "tarde demais".  "Se seu médico estava seguro em 95% de que você tem uma doença grave, procure tratamento imediatamente ", resumiu a política dinamarquesa, enfatizando que não devemos correr riscos quando o que está em jogo é "a saúde do nossa planeta”.

Já o presidente do Parlamento Europeu, o socialista alemão Martin Schulz, disse em sua conta na rede social Twitter que está "preocupado" com as conclusões do IPCC. Ele afirmou também que, para resolver esse problema, o Parlamento já começou um debate sobre energia e clima.

 O líder do grupo de centro-esquerda no Parlamento Europeu, Hannes Swoboda, por sua vez, destacou em um comunicado que o combate às alterações climáticas é também uma oportunidade de criar empregos e disse que é um "fato irrefutável".  "A ciência não pode ser ignorada. Também não podemos ignorar as consequências ambientais de nossas ações, como indivíduos ou como indústrias e empresas ", disse Swoboda.

ONGs. As principais ONGs ambientais - Greenpeace, Oxfam, WWF e Amigos da Terra - publicaram uma nota coletiva sobre o relatório divulgado pelo IPCC. “Depois de 25 anos de avisos do IPCC, a verdade incômoda se confirma: a mudança climática é real, acontece em um ritmo alarmante e o que a provoca são as atividades humanas, principalmente a combustão”, diz trecho da nota.

 

 

Com agências internacionais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.