KOCA SULEJMANOVIC/ EFE
KOCA SULEJMANOVIC/ EFE

Mudanças climáticas podem matar 152 mil europeus por ano até final do século

Estudo é publicado na revista 'Lancet' no momento em que onze países declararam emergência por conta de onda de calor

Jamil Chade, Correspondente de O Estado de S. Paulo na Suíça

05 Agosto 2017 | 09h08

GENEBRA - Um clima extremo pode matar até 152 mil pessoas por ano na Europa até o final do século, se nada for feito para frear o impacto das mudanças climáticas. O alerta está sendo publicado na edição deste sábado do jornal The Lancet Planetary Health, indicando que o número de mortes poderia ser 50 vezes superior aos registrados hoje. 

O principal problema seriam as ondas de calor, responsável por 99% das mortes no futuro e principalmente no sul da Europa. 

Realizado pelo Centro de Pesquisa da Comissão Europeia, o estudo aponta que se as reduções de CO2 não forem suficientes e se o continente não se adaptar, a taxa de mortos passaria de 3 mil por ano para 152 mil. 

No total, de cada três europeus, dois seriam afetados pelas ondas de calor. Hoje, essa taxa é de apenas 20%. Enchentes também se tornariam mais frequentes, com o número de vítimas passando de seis por ano para mais de 200. 

As conclusões do estudo estão sendo publicadas no momento em que a Europa vive mais uma onda de calor, registrando em diversas cidades temperaturas de mais de 40 graus. O calor ainda afetou já a produção agrícola e tem até fechado museus.

"As mudanças climáticas estão entre as grandes ameaças globais do século 21", disse

Giovanni Forzieri, um dos autores do estudo. "Se nada for feito de forma urgente e com medidas apropriadas, cerca de 350 milhões de europeus serão expostos a um clima extremo a cada ano até o final do século", disse. 

Com a pior onda de calor em 14 anos, onze governos europeus anunciaram um plano de emergência e apelam aos cidadãos para que adotem medidas extras de proteção. Para os cientistas, o fenômeno deve se repetir nos próximos anos com maior regularidade, afetando inclusive a estruturas de cidades. 

Por enquanto, a recomendação é de permanecer em locais cobertos, evitar o sol, caminhadas longas e hidratar com frequência. Duas pessoas já morreram, na Polônia e Romênia. Mas o temor dos serviços de saúde é de que ocorra o mesmo que em 2003, quando a Europa descobriu que a onda de calor tinha matado mais de 20 mil pessoas, que já estavam em um estado frágil e não foram atendidas.

Agora, as autoridades chegam a sugerir que vizinhos liguem para aqueles moradores que são mais idosos em seus prédios, para garantir que a mesma tragédia não se repita. 

A emergência já foi declarada na Itália, Suíça, Hungria, Croácia, Romênia, Sérvia, Bósnia, Espanha e França. 

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