Pichi Chuang/Reuters
Pichi Chuang/Reuters

Mudança do clima fortalece parasitas

Exposição de anfíbios a variações bruscas de temperatura diminuiu resistência a infecções

OSLO, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2012 | 03h03

A mudança climática pode tornar parasitas mais perigosos, segundo cientistas. É a conclusão de uma pesquisa que registrou maior incidência de infecção por fungos parasitários em pererecas expostas a mudanças bruscas de temperatura.

Por serem menores e crescerem mais rápido, os parasitas podem se adaptar com mais agilidade às mudanças climáticas que os seus hospedeiros, afirmam os pesquisadores.

"Um aumento na variação do clima provavelmente torna mais fácil para um parasita infectar seu hospedeiro. E achamos que pode também exacerbar os efeitos de algumas doenças", afirmou o biólogo Thomas Raffel, da Universidade de Oakland, na Califórnia. Ele é um dos autores da pesquisa, feita em colaboração com a Universidade do Sul da Flórida, publicada na edição de hoje da revista Nature Climate Change.

De acordo com especialistas ligados à Organização das Nações Unidas (ONU), o aquecimento global deve aumentar as variações bruscas de temperatura, além de causar problemas como ondas de calor, enchentes, tempestades, incêndios e secas.

"Poucos estudos consideraram os efeitos da variação do clima nas enfermidades, apesar de ser provável que tanto hospedeiros como parasitas apresentem respostas diferentes durante mudanças climáticas", escreveram os pesquisadores.

Em seu experimento, eles colocaram pererecas-cubanas (Osteopilus septentrionalis) em 80 incubadoras com temperaturas variáveis e as expuseram ao fungo Batrachochytrium dendrobatidis, que ataca a pele de anfíbios e geralmente é fatal.

Em um dos testes, eles observaram que pererecas mantidas por quatro semanas sob a temperatura de 25°C sofriam muito mais infecções quando eram transportadas para incubadoras a 15°C, em comparação com os anfíbios que já estavam acostumados a viver sob 15°C.

Em outra experiência, os animais foram expostos a variações diárias de 15°C a 25°C, comuns no Hemisfério Norte do dia para a noite. Observou-se que esses animais tinham uma resistência muito maior ao fungo.

Baseado em fatores como tamanho, expectativa de vida e metabolismo, os cientistas afirmam que as pererecas-cubanas demoram cerca de dez vezes mais tempo para se adaptar a mudanças inesperadas de temperatura que o fungo.

Segundo Raffel, mais testes com outros tipos de parasitas e hospedeiros são necessários para confirmar as descobertas. Mas ele especula que animais de sangue frio, como peixes, répteis e insetos, podem ser mais suscetíveis a parasitas durante mudanças de temperatura que os pássaros e os mamíferos, que têm sangue quente. / REUTERS

Mais conteúdo sobre:
mudança climática anfíbio

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.