Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

MPF recomenda suspensão de dragagem em baía onde morreram botos

Estudo indica que obras afetam os mamíferos, que estão sendo vitimados pelo surto de um vírus; 170 animais morreram

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

15 Janeiro 2018 | 19h57

RIO - O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro e em Angra dos Reis expediu recomendação ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e à Companhia Portuária Baía de Sepetiba (CPBS) determinando a suspensão imediata da licença de dragagem de 1,8 milhão de m³ do fundo da Baía de Sepetiba, até a completa normalização do surto de morbilivirose, doença que foi considerada a responsável pela morte de quase duas centenas de botos-cinza (Sotalia guianensisnas Baías de Sepetiba e Ilha Grande.

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A dragagem foi autorizada pelo Inea no ano passado e começou a ser realizada no último dia 12 de janeiro pela CPBS, que opera o terminal de minério da empresa Vale S.A.

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Desde o final de novembro, um surto do vírus morbilivírus tem causado a morte de dezenas de animais nas duas baías. A doença compromete a imunidade dos botos, mas ainda estão sendo investigado se há outras patologias associadas. Até o dia 10, 170 animais foram recolhidos nas duas baías e há a expectativa de que esse número continue aumentando nas próximas semanas, segundo boletim técnico emitido pelo Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores da Faculdade de Oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e pelo Laboratório de Patologia Comparada de Animais Selvagens da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP).

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A recomendação do MPF está baseada em documento elaborado pelo Laboratório de Bioacústica e Ecologia de Cetáceos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), que aponta que as atividades de dragagem afetam negativamente os mamíferos marinhos.

Segundo o documento, "em relação às baleias e golfinhos, têm sido reportados impactos negativos que envolvem principalmente o abandono temporário ou permanente do ambiente". "Além disso, a dragagem pode levantar plumas de sedimentos que, se contaminados, podem tornar os metais pesados biodisponíveis aos golfinhos e as baleias."

O documento ainda registra que o ruído produzido pela dragagem "tem o potencial de induzir estresse, que, por sua vez, pode reduzir a eficiência de forrageamento de mamíferos marinhos ou aumentar sua suscetibilidade a patógenos e aos efeitos das toxinas".

 

Apuração

O Inea informou no fim da tarde desta segunda-feira, 15, que está apurando o recebimento da recomendação do MPF. Afirmou também que deverá se manifestar sobre o assunto entre até esta terça-feira, 16.

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