Moda ecochique mostra sustentabilidade elegante

Peças de 50 estilistas de 40 países marcaram inauguração do Ano Internacional da Biodiversidade da ONU

Stephanie Nebehay, da Reuters

22 Janeiro 2010 | 15h47

Modelos vestindo fibra de alpaca, bambu, seda e algodão orgânico desfilaram numa passarela 'ecochique' para se juntar ao apelo das Nações Unidas para o uso sustentável dos recursos naturais.

 

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Cerca de 50 estilistas de prêt-à porter e alta costura de 40 países exibiram vestuário elegante na noite de quinta-feira, durante a inauguração do Ano Internacional da Biodiversidade, em meio à temporada de moda outono/inverno em curso em Milão, Paris, Londres e Nova York.

 

"Nós escolhemos o melhor do mundo, o melhor em design, o melhor em ética e as melhores práticas sustentáveis", disse à platéia em Genebra a organizadora Christina Dean da sede de Hong Kong da organização de caridade Green2greener. 

 

Peter Ingwersen, um estilista dinamarquês cuja marca, "Noir", utiliza tecidos de algodão orgânico da Uganda, disse que os consumidores estão mais preocupados com o impacto social e ambiental das suas compras de varejo. 

 

"Dez anos atrás era suficiente para comprar a 'última moda'. Hoje não é mais suficiente. Você também quer saber como a peça foi produzida", disse ele. "Essa é a maior mudança que temos visto em nosso negócio desde os comprimentos foram para baixo do joelho." 

 

O vestido preto 100% orgânico desenhado por Ingwersen, feito de algodão cultivado sem agrotóxicos, estava em exibição ao lado de itens doados pelo grande estilista Thakoon Panichgul, da Tailândia; Diane Von Furstenberg, de Nova Iorque; e Manish Arora, da Índia. 

 

Também estavam expostos o vestido curto de seda preto e branco da Edun, uma das pioneiras de moda ecológica e ética fundada pelo cantor e ativista irlandês Bono, e o vestido longo rosa de seda e linho, repleto de flores, do estilista brasileiro Alexandre Herchcovitch. 

 

O que usar?

As preocupações sobre as mudanças climáticas, sobre a perda da biodiversidade e os fracos direitos trabalhistas do setor têxtil, particularmente na Ásia, despertaram a conscientização dos compradores. 

 

Alguns processos convencionais, tais como lavagem de lã, curtumes e branqueamento, tingimento e impressão de tecidos, usam grandes quantidades de água, energia ou produtos químicos tóxicos, e emitem efluentes. 

 

Por isso, a indústria da moda tem respondido à demanda por estilo sustentável e fibras naturais que ficam bonitas, segundo Lucas Assunção da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD, na sigla em inglês). 

 

A moda 'eco' agora movimenta entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões em vendas por ano, "cada vez mais uma fatia significativa do mercado", disse ele em entrevista coletiva. 

 

A estilista britânica Sarah Ratty da Ciel utiliza um amplo espectro de tecidos que são feitos com fibras naturais ou ecologicamente produzidos, muitos dos quais ainda não estão no radar da maioria dos consumidores. 

 

"Muitas pessoas, quando pensam em moda verde, só pensam em algodão orgânico. Mas há também uma grande quantidade de fibras que podemos usar como sedas de linho, um tecido muito ecológico que retorna o nitrogênio ao solo", disse ela. 

 

Anggy Haif, um estilista de eco-costura de Camarões, trabalhou por 10 anos com fibras naturais, incluindo ráfia, casca de árvore e sementes selvagens coletadas na floresta. 

 

"Eu comecei porque eu vi que, no meu país, os têxteis modernos já estavam ultrapassando tecidos tradicionais, que foram desaparecendo. Foi para reviver artesanato local", disse ele. "Hoje o mercado está em muito boa forma no meu país e está se espalhando por toda a África". 

 

Mas Ingwersen, o estilista dinamarquês, disse que a moda verde poderia falir se os consumidores não encontrarem produtos que querem vestir. 

 

"Se nós não inspiram nossos companheiros estilistas, o usuário final e os meios de comunicação de moda, então isso pode acabar dentro de dois, três anos. E isso apenas terá sido um modismo muito rápido."

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