Paulo Rossi/Diário Popular
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Ministro Celso Amorim fala sobre o resgate dos brasileiros em incêndio em base na Antártida

Titular da pasta da Defesa afirma que não há indicação de que acidente pudesse ser prevenido; grupo de 41 resgatados desembarcou no Rio na madrugada desta segunda, 27

Mônica Ciarelli e Felipe Weneck / Rio,

27 Fevereiro 2012 | 03h09

O ministro da Defesa Celso Amorim disse há pouco que, se as condições climáticas forem favoráveis, os corpos dos dois militares mortos no incêndio na base brasileira na Antártida chegam ao Brasil amanhã, pela manhã.

O ministro também disse que a segurança na Estação Comandante Ferraz será "redobrada". O ministro deu a declaração enquanto aguardava para recepcionar os 41 resgatados do incêndio que ocorreu na base brasileira. Dois militares morreram e um ficou ferido.  

Amorim ressaltou que "até o momento, não há nenhuma indicação de que (o incêndio) fosse algo que dava para ser prevenido". "As próprias famílias dos dois que infelizmente faleceram em momento algum levantaram a ideia de tenha havido falta de atenção ao aspecto da segurança", completou.

Amorim reiterou o compromisso do governo de manter o Programa Antártico Brasileiro (Proantar) e lembrou que a sua presença no Rio para receber os sobreviventes era "uma prova de como o governo enxerga a importância esse trabalho". Ele também fez questão de agradecer a ajuda dos governos do Chile, Peru, Polônia e Argentina no resgate e acomodação do grupo.

Também presente no local, o comandante da Marinha, Almirante Julio Soares de Moura Neto, lembrou que a base brasileira já tinha 30 anos e que, na reconstrução dela, será possível utilizar novas tecnologias.

Grupo resgatado de incêndio desembarca no Rio

"Estou com cara de assustada porque foi realmente assustador. Nem vou falar muito porque estou muito emocionada. Foi muito traumatizante. Era como se fosse a minha casa pegando fogo. A estação era de todos os brasileiros, mas eu me sentia particularmente em minha casa". A afirmação é da pesquisadora Teresinha Absher. Ela está entre as 41 pessoas resgatadas do incêndio na Estação Comandante Ferraz que desembarcaram nesta madrugada na base aérea do Aeroporto do Galeão, no Rio.

Ela foi a primeira a falar com a imprensa. Terezinha trabalha com biologia marinha e é da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ela realiza pesquisas na Estação Comandante Ferraz há 20 anos. "Perdi todo o material de pesquisa de fevereiro e coisas particulares", afirma.

Segundo ela, a Marinha deu toda a assistência para o grupo. Teresinha também lembra que o incêndio foi muito rápido.

Os resgatados que desembarcaram no Rio eram aguardados por familiares e amigos. O sargento Luciano Medeiros, ferido no acidente, desembarcou em uma cadeira de rodas, com as mãos enfaixadas. Ele não quis falar com os jornalistas e seguiu direto para o Hospital Naval Marcílio Dias.

 

Jason Mariano, operador de manutenção, um dos resgatados, disse que tentou ajudar o grupo militar na hora que o incêndio começou. Eles foram acordados por volta de 1h pra tentar ajudara apagar o fogo. "Pegamos mangueira e água do mar, mas o incêndio destruiu muito rápido", lembra ele, que estava lá desde novembro, em sua primeira missão.  "Se for preciso, eu volto para lá."

Fernanda Siviero, militar e bióloga, estava na base há um mês. Ela afirma que ouviu o  alarme tocar quando o incêndio começou e que não deve haver muitas perdas nas pesquisas. "Muita coisa tinha backup", afirma.

Antes de pousar no Rio, o Hércules C-130 da Força Aérea Brasileira deixou quatro pesquisadores em Pelotas (RS).

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