Meteorologistas discutem os efeitos do aquecimento global

Autoridades discutirão medidas para melhorar a previsão do tempo de longo prazo, especialmente na África

AE-EFE, Agencia Estado

31 Agosto 2009 | 13h08

Começou hoje, em Genebra, na Suíça, a Conferência Mundial sobre o Clima, que reúne 2.500 autoridades e especialistas sobre o assunto. O diretor-geral da Organização Mundial de Meteorologia (OMM), Michel Jarraud, disse que autoridades discutirão medidas para melhorar a previsão do tempo de longo prazo, especialmente na África e em nações em desenvolvimento. "Nós chegamos a um ponto em que sentimos que há uma grande lacuna que precisa ser preenchida", disse.

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A conferência de Genebra não é parte do processo da Conferência de Copenhague, que no fim do ano tentará concluir um acordo mundial para substituir o Protocolo de Kyoto, prevendo cortes nas emissões de gases causadores do efeito estufa. Porém, os envolvidos no encontro desta semana ressaltaram a importância do evento para auxiliar todos os países a obterem informações para adaptação às condições climáticas extremas previstas pelo aquecimento global.

A OMM já alertou que o aquecimento mudará decisões em temas como defesa contra enchentes, agricultura e geração de energia. Essas atividades, lembra a entidade da Organização das Nações Unidas (ONU), são em geral realizadas com a experiência de padrões meteorológicos e níveis dos mares de anos anteriores. "Agora nós precisamos antecipar mudanças, não podemos mais nos basear no passado para tomar decisões para o futuro", afirmou Jarraud.

A reunião desta semana discute um documento chamado "Estrutura Global para Serviços Climáticos", que pode moldar decisões sobre água, agricultura, pesca, florestas, transporte, turismo, energia e preparo para desastres naturais. Segundo Jarraud, a iniciativa se baseia em grande parte em cooperações já existentes no setor das previsões climáticas, que precisam ser ampliadas.

 

De modo geral, todos os oradores da sessão inaugural da Conferência Mundial sobre o Clima concordaram que o mundo, particularmente os países em desenvolvimento, precisa de dados exatos para evitar os potenciais danos da mudança climática.

 

 A enviada especial da ONU para a Mudança Climática, Gro Harlem Brundtland, destacou que muitas situações de crise de fome, epidemias e deslocamentos forçados, quase exclusivas dos países pobres, estão vinculadas aos desastres naturais, que, por causa do aquecimento do planeta, se tornaram mais frequentes e mais fortes.

 

A conferência iniciada hoje é a terceira do gênero organizada pela OMM. Na primeira, realizada em 1979, foi lançado um programa de pesquisa que contribuiu para a criação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

 

 A segunda série de reuniões, em 1990, teve como principal resultado a implementação de um sistema mundial de observação. Haja vista esses ambiciosos antecedentes, a expectativa é que a conferência deste ano termine com um acordo para a criação de uma rede mundial de informações climáticas, cujo objetivo prático seria amenizar as consequências do aquecimento do planeta.

 

A ideia é fazer isso distribuindo as informações obtidas não só a entidades científicas e governamentais, mas também "a cada setor parceiro, a instâncias locais e, em nível individual, a agricultores", exemplificou Michel Jarraud.

 

À imprensa, o especialista revelou que essa nova rede climática incluirá bases de dados para previsões meteorológicas a curto prazo, mapas de zonas em que há riscos de catástrofes naturais e um sistema de alarme antecipado.

Jarraud disse ainda que os cientistas tentarão "convencer as autoridades políticas e econômicas da importância de se investir mais" em tecnologia para que as previsões sobre o clima possam melhorar.

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