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Mês de junho foi o mais quente já registrado na história

Temperaturas globais foram as mais quentes para o mês desde 1880; a exceção foi registrada na região meridional da América do Sul

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

19 Julho 2016 | 20h39

Mesmo com o frio acima do normal registrado em regiões do Sul e Sudeste do Brasil, em relação à temperatura global o mês passado bateu o recorde de junho de 2015 e se tornou o mais quente já registrado na história, de acordo com relatórios da agência espacial norte-americana (Nasa) e da agência de oceanos e atmosfera dos Estados Unidos (NOAA).

Com temperaturas acima das médias históricas em quase todos os continentes - com exceção da América do Sul - o mês de junho foi o mais quente desde o início dos registros da NOAA há 137 anos. Trata-se também do 14° mês consecutivo a quebrar os recordes de temperaturas mensais - a mais longa série de recordes ininterruptos desde 1880.

A única região continental do planeta onde as temperaturas em junho de 2016 foram mais baixas do que a média histórica, segundo a NOAA, foram as áreas central e sul da América do Sul.

De acordo com os cientistas da NOAA, junho de 2016 teve médias de temperaturas 0,9°C acima da média do século 20, ultrapassando em 0,02°C o recorde de junho de 2015, que havia sido o mais quente da história. 

Segundo a NOAA, já há indicações de que 2016 poderá bater o recorde do ano passado, considerado o mais quente da história. Até agora, entre o início de 2016 e junho, a média de temperatura global foi 1,05°C maior que a média do século 20. Essa foi a temperatura global mais alta já registrada na história no primeiro semestre de um ano, ultrapassando em 0,2°C o recorde anterior, de 2015.

Frio no Brasil. O frio registrado no Sul e Sudeste do Brasil no mês passado não contradiz os recordes de calor no planeta, segundo a meteorologista Josélia Pegorim, do Climatempo. "É preciso entender que esses recordes se referem às médias globais de temperatura, mas não significam que o mês tenha sido mais quente em todos os pontos do planeta. No Brasil, se tivemos frio no Sul e partes do Sudeste, tivemos calor intenso mais ao norte", disse Josélia ao Estado.

"Além disso, o Hemisfério Norte, onde é verão em junho, contribui muito mais para as médias globais, por ter mais áreas continentais - enquanto no Sul temos mais áreas oceânicas -, mais população e mais industrialização", explicou.

Segundo a meteorologista, em meados de junho fortes ondas de frio atingiram a América do Sul, derrubando as temperaturas especialmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. "Com isso, todas as capitais do Sul, além de São Paulo e Campo Grande, acabaram o mês de junho com temperaturas muito abaixo da média histórica", afirmou.

Mas as áreas do centro e do norte do Brasil, que não foram atingidas pelas ondas de frio, acompanharam o aumento global das temperaturas, segundo Josélia. "Em Palmas, no Tocantins, tivemos um recorde histórico de calor no dia 1° de junho, com 39,9°C".

Segundo ela, foi a temperatura mais alta para o mês desde 1993, quando o Instituto Nacional de Meteorologia começou a fazer medições em Palmas. "Em Brasília, que tem temperaturas médias de 25°C em junho, o mês acabou com uma média 2°C acima", afirmou.

 

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