Merkel sugere um organismo para cuidar da biodiversidade

A Alemanha sedia a Convenção de Biodiversidade da ONU; um quinto das espécies mundiais está sob ameaça

Madeline Chambers, REUTERS

11 Janeiro 2010 | 13h21

A chanceler alemã Angela Merkel fez um apelo aos países industrializados e às nações em desenvolvimento para investir mais em proteção da vida selvagem e disse que as Nações Unidas deveriam criar um órgão para reiterar os argumentos científicos em prol do salvamento de espécies da flora e da fauna.

 

Os pesquisadores dizem que preservar a natureza é crucial para combater as mudanças climáticas e avisam que a atividade antrópica está acelerando a extinção das espécies. Eles também argumentam que o estilo de vida das pessoas depende de recursos naturais valiosos.

 As taxas de extinção aumentaram em mil vezes o seu ritmo natural por conta das ações humanas, dizem os estudos. De acordo com os cenários traçados pela ONU, três espécies desaparecem por hora no mundo. “Preservar a diversidade biológica é tão importante quanto proteger o planeta das alterações climáticas”, disse Merkel na segunda-feira (11.01) em um evento de lançamento do Ano da Biodiversidade das Nações Unidas.

  “Precisamos de uma mudança global. Aqui, agora, imediatamente – não em algum momento futuro”, afirmou ela. “Precisamos aproveitar este ano para relançar esta idéia”. A Alemanha é a sede da Convenção de Biodiversidade da ONU.

Merkel disse que os países deveriam investir mais dinheiro na proteção das espécies e criar uma rede de áreas protegidas.

   

    Nova instituição

Ela também sugeriu o estabelecimento de um novo organismo para lidar com a ciência da biodiversidade, parecido com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU.

    “Seria interessante ter uma interface entre os políticos e os cientistas para repassar e integrar conhecimento, como o IPCC faz com a questão da mudança climática”, disse ela, explicando que um organismo como esse poderia ajudar na instituição de políticas públicas.

    Achim Steiner, director executivo do Programa Ambiental das Nações Unidas concordou, completando que o esta é a hora de fazer algo semelhante ao IPCC no âmbito da biodiversidade.

Mais de um quinto de plantas e animais correm risco de extinção, de acordo com os especialistas, e as nações perderam a oportunidade de frear esse processo na Convenção de Biodiversidade (CBD) de 2002.

Ahmed Djoghlaf, secretário executivo da CBD, disse que é essencial estabelecer novas metas este ano. “Nós estabelecemos uma meta e não a cumprimos… temos de aprender a lição para garantir que, em 2020, nós não estejamos nos lamentando novamente por termos perdido a oportunidade”, reflete.

“A estratégia não deve se limitar ao estabelecimento de uma meta, mas também deve contemplar a implementação, o monitoramento e a evoloção  de metas integradas em planejamentos  nacionais”, disse Djoghlaf.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.