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Marina Silva considera 'graves' as pressões sobre o Ibama

Técnicos estariam sendo pressionados para agilizar liberação de licença para projto de Belo Monte

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Leonardo Goy ,
Agência Estado

02 Dezembro 2009 | 21h13

A senadora Marina Silva (PV-AC), ex-ministra do Meio Ambiente, avalia como "graves" as pressões a que estão sendo submetidos técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) para liberar logo a licença ambiental prévia do projeto da hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu. Ela foi além, e sinalizou nesta segunda, 1.º, que essas pressões estariam deixando até o presidente do Ibama, Roberto Messias, desconfortável no cargo. Messias, porém, reagiu às declarações da ex-ministra e disse que continuará comandando o Ibama.

 

Na terça-feira, dois importantes funcionários do Ibama,o diretor de licenciamento, Sebastião Custódio Pires, e o coordenador-geral de Infraestrutura de Energia Elétrica, Leozildo Tabajara da Silva Benjamin, deixaram os cargos. Segundo fontes, eles teriam pedido para sair devido às pressões do governo para que o órgão ambiental libere logo a licença para o projeto da hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA).

 

"Acho muito grave que um empreendimento dessa magnitude esteja sofrendo pressões e, pelo que tudo indica, pressão política. Ao ponto de o diretor (de licenciamento) estar se demitindo e o presidente do Ibama, me parece, está muito desconfortável em continuar no cargo caso a pressão continue", disse Marina Silva durante audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos do Senado para discutir o projeto.

 

Em entrevista à Agência Estado, Messias disse que não está desconfortável no cargo e continuará presidindo o órgão. "Continuo no cargo e com todos os encargos difíceis que ele prevê. Não estou desconfortável. Só gostaria de não ter tanto trabalho e responsabilidade nos meus ombros. Preferia estar numa praia, tomando água de coco. Mas estou dando o meu melhor na tarefa de presidir uma das principais instituições do País, em um dos seus momentos mais cruciais", afirmou.

 

Messias disse que não há nenhuma pressão fora do normal no caso de Belo Monte. "Não existe nada excepcional e o presidente Lula disse que quer a licença o mais rápido possível, mas não quer que haja açodamento para não se impor nenhum sacrifício à população. Estou seguindo a instrução dele de trabalhar com rigor", disse.

 

Com relação às saídas do diretor e do técnico, Messias não confirmou a avaliação que eles saíram diretamente por causa de Belo Monte. Mas ele disse que, em ambos os casos, a decisão teve motivação pessoal, causada pelo excesso de trabalho. "Há um momento em que a pessoa fala que a qualidade de vida dela está sendo afetada e não vale mais a pena. O Leozildo, por exemplo, teve problemas de doença na família", disse o presidente do Ibama, acrescentando que, em alguns momentos, as pessoas percebem que o trabalho oferece mais custos que benefícios.

 

Para o lugar de Custódio na diretoria de Licenciamento, ontem mesmo foi nomeado o geólogo Pedro Bignelli, ex-superintendente do Ibama em Mato Grosso. As pressões em torno do licenciamento de Belo Monte não vinham só do governo. Há mais de um ano, Sebastião Custódio vinha sendo pressionado também pelo Ministério Público, que chegou a pedir sua prisão, acusando-o de improbidade administrativa. Ele também sofria carga feita por ONGs e entidades ambientalistas por causa da possibilidade de conceder a licença de Belo Monte.

 

A audiência de ontem do Senado forneceu mais um episódio dessa pressão social contra Belo Monte. A índia Caiapó Tuíre - que anos atrás ameaçou o atual presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz Lopes, com um facão - ficou de pé em frente à mesa da Comissão de Direitos Humanos e apontou o dedo para o representante da Fundação Nacional do Índio (Funai) que participava da sessão.

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