Anderson Oliveira/Prefeitura de Salto
Anderson Oliveira/Prefeitura de Salto

Lixo e camadas de espuma do Rio Tietê voltam a cobrir as ruas de Salto

Prefeitura interditou áreas atingidas pelos resíduos, que podem liberar substâncias tóxicas e produzir mau cheiro

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

07 Junho 2017 | 14h06
Atualizado 07 Junho 2017 | 21h32

SOROCABA - Toneladas de lixo, desta vez acompanhadas por grossas camadas de espuma poluída, voltaram a ser empurradas pelo Rio Tietê para as ruas centrais de Salto, no interior de São Paulo. Na manhã desta quarta-feira, 7, o nível do rio havia subido dois metros, com a vazão de 400 metros cúbicos por segundo para 500 m³/s.

De acordo com a prefeitura, além do lixo trazido pelas águas desde a região metropolitana de São Paulo, os moradores são incomodados pela espuma gerada por produtos químicos despejados na água. 

Há uma semana, a prefeitura já havia retirado 30 toneladas de lixo que se acumulara nas pedras do Complexo da Cachoeira e do Parque das Lavras, ponto turístico da cidade. Agora, os locais voltaram a acumular, além do lixo, grandes blocos de espuma tóxica. Até embalagens de remédios foram vistas em meio ao lixo.

"A administração informa que está sendo feito novo serviço de limpeza nos locais, conforme contrato com a concessionária do serviço de saneamento. No entanto, ocorre prejuízo à cidade, uma vez que as equipes deveriam se empenhar na limpeza e capinação dos parques, praças e vias públicas, em vez de recolher o lixo trazido de outros municípios", informou a prefeitura.

O prefeito Geraldo Garcia (PTB) esteve nos locais e pediu à Defesa Civil que as áreas com espuma fossem isoladas. O acesso à Ilha do Campo do Avenida foi interditado. Segundo ele, estudos já mostraram que a espuma pode liberar substâncias tóxicas, além de produzir mau cheiro e resíduos que mancham as roupas.

A Fundação SOS Mata Atlântica e o Comitê da Bacia Hidrográfica do Médio Tietê, onde fica Salto, vão propor ao Comitê do Alto Tietê, que atende a região metropolitana, uma forma de compensação pelos gastos com a contenção da sujeira.

O presidente da Sabesp, Jerson Kelman, disse que a indústria praticamente aboliu o uso do fósforo, mas ainda utiliza agentes tensoativos - formadores de espumas - que não são rapidamente degradáveis. "Quando você coleta e trata o esgoto, a maior parte desse agente tensoativo é degradado. O problema é que nós, Sabesp e outras companhias e empresas de saneamento, não coletamos e tratamos todo o esgoto, embora tenhamos avançado muito na coleta", admitiu.

Ele disse que o lixo descartado no ambiente urbano e que vai parar no rio agrava o problema. "Muita embalagem com resto de detergente vai parar no rio. Isso depende mais das ações das prefeituras e de uma mudança na postura da população", disse.

 

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