Limites legais não são empecilho à economia

No Brasil, fabricantes têm restrições para fazer reúso de água de modo mais intensivo

Andrea Vialli e Lucas Frasão, especial para o Estado,

21 Março 2009 | 17h34

Para Benedito Braga, vice diretor geral do Conselho Mundial da Água, o reúso é cada vez mais necessário em razão da escassez de recursos. "Vamos ter de caminhar para o processo de reaproveitamento de água. Países muito carentes, como a Namíbia, estão fazendo reúso até para abastecimento humano", afirmou Braga ao Estado.

 

No Brasil, fabricantes de produtos como alimentos, bebidas e cosméticos têm restrições legais para fazer reúso de água de modo mais intensivo. Mesmo assim, o investimento em reaproveitamento da água está em alta.

Na fabricante de bebidas AmBev, o consumo de água por litro de bebida vem caindo. Em 2003, o gasto médio era de 4,88 litros de água para cada litro de bebida produzido. Hoje, é de 4,11 litros. Como a água de reúso não pode ser utilizada para produzir bebida, sua utilização é concentrada na lavagem de garrafas retornáveis e limpeza de equipamentos. "Temos fábricas em regiões de menor disponibilidade hídrica, então o reúso torna-se essencial", diz Beatriz Oliveira, gerente de Meio Ambiente da AmBev.

A Coca Cola Brasil traçou um plano para reduzir em 20% o consumo de água até 2012. Há 11 anos, o gasto era de 5,4 litros de água para cada litro de bebida. A média já caiu para 2,10 litros em 2007.

Essa economia ocorreu porque a empresa reutiliza entre 750 milhões e 1,5 bilhão de litros de água por ano. "O processo envolve primeiro a conscientização sobre o racionamento de água. A prática de reúso vem depois", diz José Mauro de Moraes, diretor de Meio Ambiente da Coca Cola Brasil.

Na indústria de cosméticos Natura, foi possível reduzir em 9,5% o consumo de água por produto vendido em 2008, em relação ao ano anterior.

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Atenta ao reúso, a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) realizou uma pesquisa em 2008 que apontou uma redução na captação de água de 9.220 litros por tonelada de produto fabricado, em 2001, para 6.990 litros por tonelada, em 2007

Durante o mesmo período, o volume de efluentes lançados pelo setor químico brasileiro caiu de 4.190 para 1.890 litros por tonelada. Os resultados foram alcançados graças a uma política de reúso na indústria. Em 2001, o volume de águas reaproveitadas era de 3.700 litros a cada tonelada de produto. Esse número saltou para 31.500 em 2007

O grupo Sonae Sierra, que administra shopping centers em todo o País, fixou metas para redução do consumo de água. Até 2012 , o objetivo é chegar a um consumo de água anual de 4 litros por visitante do shopping. Em 2007, ele era de 4,5 litros por visitante. Para isso, está captando e tratando água da chuva.

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