Japão testará mercado de carbono no segundo semestre

O primeiro-ministro do Japão, Yasuo Fukuda, anunciou na segunda-feira que o país começará a testar no segundo semestre um sistema de comercialização de créditos de carbono, parte de uma nova política destinada a reduzir substancialmente as emissões de gases do efeito estufa do país até 2050 -- e não mais 2020. Quinto maior emissor mundial, o Japão estima que poderia reduzir suas emissões em apenas 14 por cento até 2020. "Quando se fala no futuro próximo, não podemos mais nos dar ao luxo de incentivar os demais ou perder tempo jogando um jogo de adotar metas para fins de propaganda política", disse Fukuda. O Japão pretende reduzir suas emissões em 60 a 80 por cento até 2050, e em algum momento de 2009 deve anunciar uma meta provisória, de médio prazo. Além disso, o país deve destinar até 1,2 bilhão de dólares para um novo fundo multilateral contra o aquecimento global, formado também por Estados Unidos e Grã-Bretanha, segundo Fukuda. Ambientalistas lamentaram as posições de Fukuda, que está sob pressão para propor metas rígidas de controle das emissões durante a cúpula de julho do G8 no Japão. "Os líderes do G8 precisam dar passos concretos na direção de um mundo com pouco carbono, e o primeiro-ministro Fukuda precisa se empenhar mais para desencadear tal liderança", disse em nota Kathrin Gutmann, coordenadora de políticas climáticas da ONG WWF. "Nesta luta, Fukuda apresenta apenas uma visão borrada, e a falta de uma meta para as emissões em 2020 é absolutamente frustrante", disse Gutmann em nota. A WWF também criticou o Japão por usar como parâmetro para a redução as emissões de 2008, e não as de 1990, como fez a União Européia. Tóquio agiu assim porque suas emissões cresceram desde 1990. O Japão espera que a cúpula do G8 chegue a uma "visão comum" sobre como reduzir pela metade as emissões globais de carbono até meados do século. Grandes países emergentes, como China e Índia, também devem participar das discussões climáticas do G8. "É impossível alcançar esta meta sem a participação dos principais países emissores, e a não ser que todos os países do mundo participem de alguma forma", disse Fukuda, numa clara referência aos grandes países em desenvolvimento, poupados de qualquer redução pelo Protocolo de Kyoto. Os países em desenvolvimento e a União Européia, que já estabeleceu a meta de reduzir as emissões em 20 por cento até 2020, defendem que os países ricos deveriam dar o exemplo e adotar metas relativas aos próximos 12 anos.

CHISA FUJIOKA, REUTERS

09 Junho 2008 | 11h42

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