Japão anuncia corte de 15% nas emissões de CO2 até 2020

Quinto maior emissordo mundo, país tem sofrido grande pressão para comprometer-se com acordo climático

RISA MAEDA E CHISA FUJIOKA, REUTERS

10 Junho 2009 | 08h14

O Japão vai reduzir sua emissão de gases causadores do efeito estufa em 15% até 2020 em relação aos níveis de 2005, disse nesta quarta-feira, 10, o primeiro-ministro Taro Aso.

 

Veja também:

linkChina diz estar comprometida com sucesso de acordo climático

linkSuécia vai propor imposto europeu sobre emissão de CO2

link Ambientalistas propõem texto para suceder Protocolo de Kyoto

especial Entenda as negociações do novo acordo sobre mudança climática

especial Mapa da emissão de carbono

especial Expansão econômica vs. sustentabilidade

O Japão, quinto maior emissor de CO2 do mundo, tem sofrido grande pressão dos países em desenvolvimento para comprometer-se com um novo acordo climático global, e analistas afirmam que a meta anunciada pode não ser suficiente para impulsionar as negociações.

A meta, que exclui a compra de créditos de carbono do exterior, é equivalente a um corte de 8% em relação ao nível das emissões de 1990.

"O plano do primeiro-ministro Aso é horroroso", disse Kim Carstensen, da ONG ambiental WWF.

"A nova meta de Aso significa que o Japão efetivamente dá às industrias sujas a liberdade para poluir sem limites por oito anos."

O Partido Democrático, de oposição e que lidera as pesquisas de opinião, disse que o corte de emissões deveria ser de 25% em relação a 1990.

"Muito pouco e muito tarde", disse o professor Yoshi Murasawa, da Universidade de Tóquio. "Uma redução de 15% das emissões em relação ao nível de 2005 até 2020? Isso é apenas 8,5% de redução do nível de 1990."

Em dezembro, a ONU vai promover uma discussão climática em Copenhague com o objetivo de selar um novo acordo climático global que substitua o Protocolo de Kyoto a partir de 2013. O anúncio do Japão é considerado um importante sinal das intenções de cortes dos países ricos para combater o aquecimento global.

"Esse compromisso não é forte o bastante", disse Matthew Clarke, professor da Escola de Política Internacional da Universidade de Deakin, em Melbourne.

"Países como o Japão devem se comprometer a cortes maiores nas emissões se quiserem encorajar os países em desenvolvimento como Índia e China a também fazerem cortes nas suas emissões", acrescentou.

Alguns viram a meta como um bom sinal. "Isso é positivo para o setor de energia limpa do Japão, aumentando potencialmente a demanda e ajudando a reforçar a indústria como um todo", disse Tetsuya Wadaki, analista da Nomura Securities.

Mais conteúdo sobre:
AMBIENTE JAPAO CORTE EMISSAO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.