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Invasões do MST adiam liberação de árvore transgênica

Mil mulheres entraram em centro de pesquisa em SP e destruíram mudas; depois, em Brasília, grupo paralisou reunião da CTNBio

Lígia Formenti e José Maria Tomazela , O Estado de S. Paulo

05 Março 2015 | 21h13

SOROCABA - Duas invasões coordenadas de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), em São Paulo e Brasília, causaram nesta quinta-feira, 5, a destruição de mudas e impediram a votação de um pedido de liberação comercial de uma variedade de eucalipto transgênico. A alegação é de que o produto colocaria em risco a produção de mel. A empresa atacada afirmou que anos de pesquisa foram perdidos com a ocupação.

A ação foi deflagrada pela manhã em Itapetininga, sudoeste paulista, quando cerca de mil mulheres do MST invadiram o centro de pesquisas da FuturaGene Brasil. No local são realizados estudos para o desenvolvimento do eucalipto geneticamente modificado, batizado de H421. As militantes destruíram estufas, mudas e material genético, além de pichar o local durante a ocupação.

Logo na sequência, cerca de 70 integrantes do movimento entraram no auditório usado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Com receio de que a segurança das pessoas que acompanhavam a sessão fosse colocada em risco, a comissão optou por suspender as análises que fazia. A polícia foi chamada, mas a manifestação terminou sem confronto.

Mesmo assim, o MST conseguiu impedir a votação do pedido de liberação comercial do eucalipto transgênico produzido pela FuturaGene Brasil, empresa do grupo Suzano Papel e Celulose. O movimento afirma que essa nova variedade de eucalipto coloca em risco a produção de mel, uma vez que o produto obtido nas regiões com a árvore modificada poderia ser contaminado.

Em seu site, a empresa informa que o eucalipto modificado permite produzir mais madeira em menor tempo e de forma sustentável, reduzindo a ocupação de novas áreas. A assessoria de imprensa da Suzano Papel e Celulose afirmou que as depredações causaram perdas de anos de desenvolvimento biotecnológico, mas os prejuízos ainda não foram quantificados. Os laboratórios da FuturaGene não foram atacados.

No momento em que a reunião da CTNBio foi interrompida, já havia sido aprovada a liberação comercial de duas variedades de milho geneticamente modificado. A análise do pedido de liberação do eucalipto vai para a pauta da próxima reunião, em 9 de abril. 

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