Indefinição de meta brasileira frustra ONGs em Barcelona

'Perdemos mais uma oportunidade de mostrar liderança' , disse Carlos Scaramuzza, diretor da ONG WWF-Brasil

Herton Escobar, de O Estado de S. Paulo,

04 Novembro 2009 | 15h08

O resultado da reunião de terça-feira, 3, em Brasília - ou melhor, a falta de um resultado - frustrou ambientalistas brasileiros em Barcelona, onde ocorre esta semana a última reunião preparatória para a cúpula do clima de Copenhague, no mês que vem.

 

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"Perdemos mais uma oportunidade de mostrar liderança no combate às mudanças climáticas", disse o diretor de Conservação da ONG WWF-Brasil, Carlos Scaramuzza.

 

Para Gaines Campbell, da organização Vitae Civilis, a ministra Dilma Rousseff saiu enfraquecida da reunião, já que não conseguiu impor sua posição, contrária a uma meta de redução do crescimento de emissões - como defende o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

 

"Se era para (a Dilma) bater o martelo, isso não aconteceu", disse Campbell. A frustração, segundo ele, também foi sentida nas delegações de outros países em Barcelona, que esperavam conhecer ontem a posição brasileira para Copenhague. "A bola murchou completamente."

 

"O Brasil está dando um péssimo exemplo", disse o representante do Greenpeace para a Amazônia, Paulo Adário. "Enquanto os africanos estão botando o pé na porta, o Brasil continua fazendo jogo de cena", completou, referindo-se ao ultimato dado pelo Grupo dos Países Africanos ontem em Barcelona.

 

Eles abandonaram as negociações sobre Copenhague e disseram que só voltariam para a mesa depois que os países desenvolvidos apresentassem suas metas de redução de emissões. Os números ainda não apareceram, mas ao menos chegou-se um acordo de que 60% do tempo restante das negociações será dedicado exclusivamente a esse tema.

 

"Estamos num jogo de pôquer em que ninguém quer mostrar suas cartas", disse Scaramuzza. "Só que o jogo está acabando, e se as cartas não aparecerem todo mundo vai perder. Falta um pouco de ousadia (da delegação brasileira)."

 

"Fica um esperando o outro fazer alguma coisa e ninguém faz nada", completou Adário. "Não é hora de ficar jogando pôquer, estamos no meio de uma emergência."

 

 

O repórter viajou a convite da organização da COP 15.

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